Não duvide de Roger e não menospreze Rafa

O jogo: não foi uma partida brilhante, principalmente no primeiro set. Roger sacou bem, demorou muito para usar a eficiente curtinha e cometeu muitos erros não-forçados. Rafa foi mais atento nos break points, estava passando muito bem e foi mais agressivo do que de costume. Mas ainda acho que Federer não estava motivado o suficiente.

Melhores análises do jogo você encontra na net, e essa não é a proposta desse site.

O que farei aqui é expor o que eu penso sobre esse confronto Nadal x Federer (14×7 agora).

Tenho procurado manter uma postura cautelosa em relação aos maus (?) resultados do Federer na temporada de saibro. Não se trata de querer tapar o sol com a peneira, muito pelo contrário. É exatamente porque já fui ‘calada’ pelo suíço, que penso duas vezes em fazer previsões catastróficas a seu respeito.

No começo do ano passado, quando eu era um ser ainda pior menos iluminado, publiquei um texto chamado “O tenista decadente” em um blog da minha sala. Foi logo após aquele Australian Open que o Nadal ganhou e Federer chorou de tristeza ao seu lado. O texto era forte demais e mal escrito. Porém, o pior de tudo é que logo depois o cara começou a virar o jogo (em Madri, coincidentemente) e rasgou cada palavra que eu escrevera.

Depois de uma curiosa e sincera mea culpa, eu olhei Roger com muito mais respeito. E entendi que ele realmente não dá a mínima para torneios além do Grand Slam, inclusive os Masters. Mas sempre quis saber o que se passava na cabeça do suíço durante aquele período ruim, em que perdeu Wimbledon e o topo do ranking, foi mal na Olimpíada e chorou na Austrália. Também, o que significava para ele ter vencido o ‘bloqueio’ no saibro, ao vencer o Aberto da França ano passado.

Pois bem, um dos meus jornais favoritos, o espanhol “El País”, perguntou a ele tudo que eu gostaria de saber. Tomei a liberdade de traduzir e reproduzir alguns trechos:

Você chorou ao perder a final na Austrália em 2009 e ao ganhar nesse mesmo ano Roland Garros enfrentando Soderling.

Federer: É bonito levar as pessoas comigo e minhas emoções. Eu preferia fazê-lo sozinho. Agora posso voltar a esses momentos, porque estão documentados. (…) Eu chorei muito uma época. Havia razões por trás daquilo. Mas agora estou contente de todos terem visto.

‘Sinto-me mais homem’, foi a sua frase ao ganhar pela primeira vez Roland Garros na sua quarta final seguida.

Federer: Por que no saibro não foi tão fácil como nos outros pisos? Por que não fui tão dominante? Porque nos outros pisos fazia meu jogo sem pensar. Tudo ocorre naturalmente: passo da defesa ao ataque quando e como quero. No saibro, não é preciso um voleio ou um saque. Precisa apenas de pernas, direita e revés incríveis e correr a quadra toda. Não estou diminuindo Rafa: ele é bem sucedido em todos os pisos. Mas no saibro, você consegue escapar e competir com muitos problemas no seu jogo. Não digo que é simples, mas sim que é muito fácil. Tive que aprender a controlar a agressividade do meu jogo. Adoro terminar os pontos rapidamente, com duas jogadas. No saibro, você pode fazer isso em 50% dos pontos, mas se arrisca demais, abre mão dos outros 50%. Tive que aprender a jogar de trás da quadra e usar os ângulos. Foi uma lição de geometria. No saibro, você pode jogar bem e perder. Mas tem que jogar com inteligência.

A chorosa final na Austrália em 2009

Vencer Roland Garros teria outro sabor contra Nadal?

Federer: Obviamente. Nenhum major terá o mesmo sabor que meu primeiro Roland Garros. É o que eu buscava, aquele que perseguia, o título para qual me preparava quase em segredo. Fazia pré-temporadas em fevereiro para me preparar para as semis da França em maio. Sempre soube que podia ganhar, mas consegui-lo realmente, chegar à final, é uma satisfação incrível. Sempre esperei que pudesse ganhar de Rafa, mas não se pode escolher quem está do outro lado da rede. Seguimos em frente com nossas carreiras. Espero que tenhamos mais oportunidades de jogar na Philippe Chatrier (quadra central).

Você fala como se estivesse marcado no futuro.

Federer: Quando o Agassi me deu o troféu de Roland Garros, me disse: ‘Você merece. É o destino’. Pensei: ‘É verdade’. Senti o mesmo. Depois de ter me entregado tanto em tantos anos em Paris… Sabe, por mais que as pessoas digam, nunca achei que meu problema fosse o saibro. Meu problema era Rafa. O cara é incrível. Há quem não ache isso, mas é a verdade, infelizmente para uma enorme geração de jogadores de saibro. Então, foi como se o destino tivesse viesse me buscar. Ser capaz de aguentar a pressão e acreditar todo ano que poderia vencer, embora Rafa destruísse meus sonhos, foi a minha maior fortaleza. Você pode se desmoralizar muito rápido. O momento da derrota é um golpe muito forte. Sempre acreditei que poderia melhor. Por isso acredito no destino.

Caso prefira, aqui está a íntegra

Final de Wimbledon 2008, a derrota mais sofrida de Federer

WINNER DA SEMANA: para Yevgeni Kafelnikov, o russo que foi um dos grandes rivais de Gustavo Kuerten. Ele esteve no Brasil essa semana, no Grand Champions, e deve ir a Florianópolis em agosto. Apesar da fama de freguês, por Guga tê-lo vencido as 3 vezes que venceu Roland Garros, “café-no-copo” era sempre um adversário duríssimo. Quantas vezes eu xinguei esse cara… Saudades disso. Saudade do Guga.

DUPLA FALTA DA SEMANA: hoje é bem grande.

Após ser eliminado na segunda rodada em Madri, Thomaz Bellucci culpou o desgaste por ter jogado a Copa Davis dois dias antes. “Senti bastante, principalmente o fuso horário. Eu estava lento, mas já sabia que seria uma semana muito dura em razão da Davis”, disse o rapaz, na Folha. Os melhores tenistas sempre enfrentam esse dilema de largar a preparação dos torneios ATP para defenderem seus países. Até aí, tudo bem, valeu Thomaz, etc. Mas o que eu não entendi ainda foi não terem dispensado o nosso número 1 no sábado, quando o confronto já estava ganho pelo Brasil por 3×0.

Não custava nada ter colocado o Bruno Soares ou o Marcos Daniel para jogarem no domingo, como fez o duplista Marcelo Melo. Belluci jogou sem necessidade, foi à Espanha e, na terça, já estava em quadra novamente. Péssima decisão de João Zwetsch, capitão do Brasil e técnico de Thomaz, que influenciou decisivamente o mau desempenho do brasileiro em Madri. Vidente costumeira que sou, antecipei o fato no próprio domingo.

O post foi só sobre eles, então não postarei o ‘formas de detectar Nadaletes e Federetes’. Semana que vem, faço um raio-X de “Rolangarrô”. Beijokas.

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4 Comentários

Arquivado em Masters 1000

4 Respostas para “Não duvide de Roger e não menospreze Rafa

  1. Lê Scalia

    Sobre Roland Garros só tenho UMA coisa a dizer: Guga hahahahaha.
    Gostei que o Nadal tenha ganhado, agora torço por ele hahaha, curto mais pessoas emotivas e loucas (?). Maaas, acho q o q mais influenciou foi aquelas sua definição she ahahaha qnd vc comparou o Nadal com o Corinthians. Me ganhou aí hahahaha. Além de tudo era em Madrid.. achei buni.
    Bjos :]

  2. Marcela

    Jogo tenso. A previsão de vitória do Rafa se confimou, masss poderia ter sido diferente…
    Agora é esperar RG, azar de quem pegar Gulbis na chave (e o Soderling nunca é bom para o Nadal, hehehe)…
    GS sempre Roger. Rumo ao record de semanas!

  3. yuri

    claro! q a sheila previu.
    o jogo foi legal, mas o federer perdeu.
    as curtinhas sao incriveis mano!!!!

    mto bom o post.

  4. Luísa

    vou começar a olhar seu blog pra ver as fotos! BRINKS

    como o pessoal do tênis é bonito, viu? hauhauhauhua

    tá bacana o blog, she.

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