Comece com o pé esquerdo

A pessoa entra na sala de aula e observa atentamente as carteiras. Olha fixamente para uma, abre um sorriso e se senta. Pega o papel, entorta a mão de um jeito bizarro e começa a escrever. Sim, você está diante de um canhoto. Seres como esta blogueira, cujo cérebro funciona ao contrário. Se isso faz muita diferença na hora de tocar instrumentos, abrir uma porta e espremer limão, imagine num esporte individual como o tênis!

Além de não ser muito comum, pois “atinge” apenas 10% da população, o “canhotismo” era visto como uma doença há alguns anos. Você deve conhecer alguém que teve a mão esquerda amarrada quando criança, entre outras baboseiras. Felizmente para nós, tempos passados.

Hoje, o líder da ATP é um canhoto (não exatamente, depois explico), o Nadal, vocês sabem. Federer tem uma certa dificuldade para enfrentá-lo muito por conta disso, chegando até a treinar com tenistas de mão esquerda no ano passado. Porém, FOMOS SURPREENDIDOS NOVAMENTE, porque… o espanhol não é um legítimo “zurdo”. Ele assina seus autógrafos com a mão DIREITA! Mas foi treinado desde pequeno pelo tio Tony para jogar dessa forma. Até a Nike tirou sarro com ele por isso:

Jogando ao contrário

O canhoto McEnroe bate sua bolinha até hoje

A principal diferença que os destros enfrentam ao encarar um canhoto é na estratégia. Quando você está numa posição delicada no ponto, geralmente ataca o backhand do adversário, para a bola dele voltar mais lenta e menos precisa. É preciso então alterar aquele rapidíssimo reflexo na hora de fazer isso contra alguém de mão esquerda e alterar a direção da bola. Parece idiota, mas é complicado.

Outra diferença é na hora de sacar. Quando o game está em 40-40, ou seja, o sacador está pressionado, o canhoto tem mais facilidade para fazer um saque bem aberto. O destro, quando serve nesse momento, tem que se curvar todo para acertar uma bola dessa.

Bom, agora paremos de lenga-lenga e vamos ao que você realmente quer saber: quem são os tenistas canhotos? Jogando atualmente, além do Nadal, temos Fernando Verdasco, Jurgen Melzer, Michel Llodra, Feliciano López, Thomaz Bellucci… (pitacos sobre ele mais tarde). Entre os clássicos, Joe McEnroe, Monica Selles, Guillermo Vilas, Martina Navratilova, Thomas Muster e dois brasileiros notáveis, Thomaz Koch e Fernando Meligeni.

O nosso canhoto


Thomaz Bellucci está numa fase de transição em sua (muito bem sucedida) carreira. Ele não é mais um desconhecido no circuito. Já enfrentou a maioria dos tenistas de ponta, e eles não se esquecem que ele é canhoto, tem ótimo saque, está aprendendo a variar os golpes, movimenta-se mal e perde a concentração quando está abaixo no placar.

Portanto, não se trata mais de um franco-atirador. Bellucci entra em quadra como favorito em muitas partidas e deve aprender a lidar com adversários que não têm nada a perder.

No ATP 500 de Hamburgo, que aconteceu nessa semana, ele era cabeça-de-chave 7 e viu os outros favoritos caírem antes dele, ou seja, o caminho estava livre. O que acontece? Ele sofre contra o inofensivo italiano Andréas Seppi e não consegue impor seu jogo e amedrontar o adversário.

Bellucci começa a próxima semana como 21º do mundo e defende, pela primeira vez, um título importante em Gstaad. Tem sorte de morar num país em que (quase) ninguém liga para tênis e não está fazendo pressão. Portanto, que ele relaxe e comece o torneio com o pé… esquerdo mesmo.

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2 Comentários

Arquivado em Torneios ATP

2 Respostas para “Comece com o pé esquerdo

  1. Marcelo Lopes

    Comentando uma parte do seu post…
    “o “canhotismo” era visto como uma doença há alguns anos. ->Você deve conhecer alguém que teve a mão esquerda amarrada quando criança<-, entre outras baboseiras. Felizmente para nós, tempos passados."

    EU TIVE! Minha irmã amarrava um travesseiro no meu braço quando era criança. Tanto que, apesar de me "curar do canhotismo", não foi "curou" totalmente. Consigo fazer ainda algumas coisas típicas de canhotos.

    À parte tudo isso tudo aí, canhotos levam realmente uma certa vantagem contra destros, principalmente quando rebatem com forehand diagonal, eles jogam no backhand dos adversários, assim levando vantagem na potência do golpe. O isso fica bem claro no exemplo que você citou, da dificuldade do Federer contra o Nadal.
    Abraço.

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