Amor significa nada?

Se você conferiu o Masters 1000 de Toronto, que terminou neste domingo com o bicampeonato de Andy Murray, deve ter lido nas placas de patrocínio a frase “Love Means Nothing”. É o slogan da Rogers Cup, o evento canadense que se reveza entre Toronto e Montreal, no masculino e no feminino. Isso não quer dizer que o tênis não se importa com esse nobre sentimento que nos move, mas é um trocadilho com a linguagem do esporte.

Nós falamos quinze-zero, trinta-zero, etc. Em inglês, não se diz ‘zero’, mas sim ‘love’. É uma tradição muito antiga que tem várias teorias. Dizem que vem da expressão francesa l’œuf (o ovo), pela semelhança entre o alimento e o número. Também l’heure (a hora) é uma origem cogitada. Ou talvez, todas essas teorias foram inventadas por alguém sem ter o que fazer. A única coisa que posso garantir é que tal pessoa não se trata de mim.

Os jogos

Federer, Nadal, Murray e Djokovic (em ordem de talento – e acho que de altura também) não são os quatro primeiros do ranking desde 2008 por coincidência. Qualquer partida que envolva confrontos entre eles sempre garante boas emoções (ok, tiremos a final da Austrália disso) e improbabilidade. Felizmente, eles chegaram às semifinais em Toronto.

Nadal x Murray foi uma partida relativamente rápida, com vitória do escocês em dois sets, mas ofereceu um dos melhores níveis de tênis da temporada. O canhoto não estava em seu melhor dia, mas nunca entrega um jogo de graça e exigiu todo o arsenal do escocês. Murray parece finalmente ter entendido que sabe e pode jogar agressivamente, tem gabarito para fazê-lo e adicionar essa característica à sua estratégia de contra-ataque, que sempre deu certo.

Djokovic x Federer foi uma montanha-russa. Será minha prova daqui para frente a todos que disserem que tênis é ‘entediante’. O suíço massacrou o sérvio no primeiro set e, quando tinha uma quebra a favor no começo do segundo, baixou um santo no Djoko e ele empatou com muita garra. O rapaz de Belgrado pode ser definido em três aspectos: excelente jogo de base, nervos à flor da pele e problemas estomacais/respiratórios. Djokovic é o jogador menos frio do Quarteto, ele vibra, e isso o motiva em momentos difíceis, quando o talento preferiu ficar no vestiário.

De qualquer forma, Federer jogou melhor durante toda a partida e mesmo desperdiçando muitas oportunidades de vencer mais rapidamente. Inclusive no terceiro set decisivo, quando cedeu três break-points em 4/4. Se Djoko quebrasse, sacava para o jogo. O sérvio vacilou, eles foram a 5/5 e, já cansado e sem esperança de levar a melhor um possível tiebreak, perdeu o saque e a partida.

De volta ao número 3, Djokovic não é uma má aposta para o US Open.

A final: foi um primeiro set muito irregular para Murray e Federer. O escocês saiu na frente com duas quebras, mas amarelou e deixou empatar. No entanto, Roger também não teve a competência de levar ao tiebreak. 7/5 Murray

Após quarenta mil interrupções por chuva, que me deixaram sem desculpa para não ver a derrota do Corinthians, Murray conseguiu uma quebra, que foi devolvida. Sacando em 6/5, seu primeiro saque entrou e, com sua grande capacidade de defesa, o Scot é muito difícil de bater. Duplo 7/5.

Hora de mostrar a mesma firmeza no Grand Slam.

Winners da semana: Dois atletas que, até pouco tempo atrás, estavam comendo o pão que o diabo amassou e mostraram não esquecer seu talento. O argentino David Nalbandian, ex-top 10, estava na 114ª posição no ranking após seguidas lesões. Mas, com a ausência de Juan Martin Del Potro (alguém lembra dele ainda?), o Gordo teve que dar a cara para bater na Copa Davis, eliminou a Rússia fora de casa, foi campeão no forte ATP de Washington e parou apenas em Murray no Canadá. Já é top 40.

A musa Ana Ivanovic também voltou a jogar bem apenas nesta semana, em Cincinnati, e prometia um bom embate com Kim Clijsters na semi. Porém, com poucos minutos de jogo, a sérvia torceu o pé e abandonou a partida. De qualquer forma, ela encontrou o caminho.

Dupla falta da semana: Tomas Berdych. O tcheco está todo se sentindo depois de semifinal em RG e final em Wimbledon. Chegou em Washington como cabeça 1, colocaram seu jogo num horário ruim e ele saiu reclamando… O fato é que o bonitão não venceu nenhum título no ano ainda e vacilou demais no jogo com Federer em Toronto. Teve o saque para o jogo, desperdiçou e saiu com a raquete entre as pernas. Não acho que ele vai decepcionar no US Open, mas ainda tem o que mostrar. Será que ele vai calar minha boca?

Alguém lembra? Francesa Schiavone e Samantha Stosur, campeã e vice de Roland Garros, respectivamente. Pois é. #FAIL

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4 Comentários

Arquivado em Masters 1000

4 Respostas para “Amor significa nada?

  1. Thiago

    Mto boa sua ‘reportagem’.

    Aliás, eu fiquei o fim de semana inteiro tentando descobrir o que significava o love means nothing….rsrss…mas blz, vc me tirou essa dúvida.

    Parabéns.

  2. yuri

    Djoko, mano! hahahahahah
    DJOKO CRISPIES

    ninguem nunca abandona o talento, e vice versa meu! A calma, o superego, talvez… hehe

    a parte que eu consigo palpitar nesse post eh sobre a derrota do corinthians. eeee timao, cem anos, tomando sufoco do vitoria e perdendo do cruzeiro, brincadeira viu.
    pelo menos vem um estadio ai. vai dar pra jogar tenis, sera?

  3. yuri

    o titulo da materia eh muito legal.
    a propaganda do “love means nothing” eh uma das coisas q eu soh tenho acesso em ENTERTENNIS WEEKLY.
    muito obrigado

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