O Patriota

Eu já fiz aqui um post sobre Copa Davis, quando foram jogadas as quartas de final. Mas foi no meio da Copa do Mundo…

Muitos tenistas top só jogam a Davis quando lhes convêm, e não podemos crucificá-los. Após uma temporada em quadra rápida, no calor absurdo dos EUA, tudo que eles querem é descansar. Mas isso fica complicado quando um país inteiro coloca uma responsabilidade nas suas costas. Quando você é o maior esportista desse país. Esse é o caso de Nole, Novak Djokovic.

A Sérvia chegou hoje, pela primeira vez na história, a sua primeira final de Davis. Jamais teria conseguido se não fosse pelo esforço do número 2 do mundo, que veio diretamente de Nova York para Belgrado, não jogou no primeiro dia (migué?), mas compareceu nas duplas e venceu Tomas Berdych neste domingo. Quando bateu o joelho e recebeu atendimento no jogo de hoje, a torcida sérvia chorou, ficou desesperada, como se estivesse prestes a perder um Pelé, um Senna. Porque Nole é isso para eles.

Ele não esteve a passeio em Nova York. Simplesmente superou todas as expectativas, vencendo Federer e conquistando o vice-campeonato do US Open. Por mais que ele esteja entre os melhores há algum tempo, Djokovic recentemente ficou com o estigma de morrer na praia, de ser um One-Slam-Wonder (venceu apenas na Austrália). Essa fama vem muito do comportamento que Nole apresenta em quadra, extremamente inconstante.

Roddick disse uma vez que nunca se sabe como ele entra em quadra. Às vezes, é o cara mais corajoso do mundo (aquele que bateu duas direitas na linha para salvar os match-points de Federer) e noutras, um chorão que reclama com os céus e desiste da partida, cabisbaixo. Djokovic é os dois. Um loser de momentos heróicos. Um coadjuvante que brinca de protagonista de vez em quando.

Dentre os quatro primeiros do ranking, Djokovic é certamente o que tem menos rejeição das pessoas. O sérvio é muito carismático, por sua paixão em quadra, sua facilidade de comunicação, simpatia natural e disposição para brincar com seus colegas e rir de si mesmo. (coloque o vídeo abaixo em 1:55)

Nole não será lembrado como um dos maiores jogadores da história, mas está deixando uma história bonita no tênis e será lembrado por seus colegas. Nesse sentido, ele me lembra muito o Guga. Um herói nacional, supersticioso, talentoso, patriota, carregando a Sérvia nas costas.

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