O bom e jovem Andy

Depois de vencer a semifinal contra Juan Monaco e chegar à sétima final de Masters 1000 da carreira, Andy Murray foi ao Twitter e disse que estava muito contente com o desempenho de seu time no Fantasy Football. Sua participação anterior no microblog havia sido para reclamar de Monaco e Rafael Nadal, porque, segundo o britânico, o duelo de videogame entre os três havia terminado em empate e não com vitória da dupla latina.

Daí chega o domingo, ele enfrenta Roger Federer na final de Xangai e faz 6/3 e 6/2 em menos de uma hora e meia. Mais que isso, faz com que o suíço não veja a cor da bola. Quantos tenistas são capazes de fazer isso com Federer? Não enchem sequer uma mão. Esse é o bom e velho jovem Andy. Um moleque, que sente a pressão quando menos deveria e cresce quando é exigido.

A ascensão de Murray começou em 2008, quando ele venceu o primeiro Masters e fez a final do US Open. Ganhou o posto de quarto do mundo e dali ninguém o tira, chegando até a beliscar um número 2 uma vez. Apesar de não ter chegado a nenhuma final de Grand Slam em 2009, o ano passado foi fundamental para que o escocês aperfeiçoasse seu jogo e ganhasse força física.

Variação de jogo, movimentação, força, velocidade, agilidade, estratégia de jogo, tudo isso é quase perfeito em Murray e é o que segura sua onda diante das crises de identidade que ele tem de vez em quando. Como Djokovic, o britânico é irregular emocionalmente. Tem momentos de intensa coragem e outros de extrema falta de auto-confiança.

O choro contido após perder o Australian Open de 2010, a incredulidade diante da derrota para Wawrinka no US Open, a vergonha diante do público londrino ao ser massacrado por Nadal em Wimbledon são cenas que demonstram uma vontade de Murray de amadurecer.

A demissão de seu treinador também vai na direção de uma mudança. Murray quer ser um ídolo, porque a Inglaterra, ops, a Grã-Bretanha precisa dele. No entanto, nada deve ser mudado em seu jogo. Nos seus melhores dias, Murray pode atropelar quem quiser. O que lhe falta é carisma e confiança. Aquele olhar que encontramos em Federer e Nadal de calma, determinação e paciência.

O homem que entregou o troféu em Xangai pediu apenas um sorriso e o campeão respondeu que era “tímido”. Ao lado do calejado Federer então, Murray parece ainda mais um adolescente. Só faltou a sua mãe Judy aplaudindo orgulhosa na plateia. Ambicioso, assustado, sem treinador. Como eu já disse aqui antes, o destino de Andy é a principal dúvida do tênis atual.


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Arquivado em Masters 1000

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