Recap: Copa Davis

Se você me segue no Twitter, leu as minhas incontáveis mensagens sobre a Copa Davis desde sexta-feira. É um dos meus torneios favoritos por razões que eu já expliquei aqui. Nos últimos três dias, aconteceu a primeira rodada e aqui vão minhas impressões sobre cada confronto:

França 3×2 Áustria

O melhor de todos, na minha opinião, não só por ter ido ao quinto jogo, mas pelas surpresas. Antes de começar, a pergunta era se Jurgen Melzer seria capaz de parar Gilles Simon e Jeremy Chardy, além de dar uma mão a Oliver Marach nas duplas. Daí o canhotão perde pro Chardy na primeira partida e o Simon confirma, dando a entender que a França já havia levado. Porém, a dupla austríaca venceu e Melzer teve sangue-nos-olhos contra o Simon, deixando a decisão nas mãos de Chardy contra Martin Fischer. Para alívio geral da nação francesa, a vaga nas quartas veio na última partida.

Alemanha 3×2 Croácia


Esse foi o resultado que mais comemorei e isso não tem nada a ver com minha torcida para a Alemanha no futebol. É tudo implicância com Ivo Karlovic, um jogador tão limitado que é capaz de piorar o jogo dos adversários em quadra. Marin Cilic fez a parte dele, Kohlschreiber ganhou uma das duas partidas e Petzschner mostrou o quanto é bom ter um jogador bom tanto em simples como nas duplas no time.

Sérvia 4×1 Índia


O placar no final foi elástico, mas os atuais campeões passaram alguns sustos nesse confronto. Primeiro, a viajada total do Janko Tipsarevic, perdendo para Somdev Devvarman (não é um absoluto pangaré, mas né), depois a perda do primeiro set nas duplas que-não-eram-Paes-e-Bhupathi. Porém, mais uma vez, Troicki demonstrou firmeza na Davis e evitou a zebra. Ansiosa para vê-lo jogar duplas com Novak Djokovic nos EUA.

Suécia 3×2 Rússia


Não se enganem, os pontos da Rússia foram feitos quando já não valia mais nada. A verdade é que a antes fortíssima equipe russa tem que pensar com bastante carinho em seu futuro. Mikhail Youzhny já disse que seus dias de Davis acabaram. Nikolay Davydenko mal consegue se firmar no circuito, não se pode contar com ele. Os jovens talentos estão sendo cooptados pelo Cazaquistão. Bem complicado. Olhando a Suécia, Robin Soderling é um excelente reforço, mas insuficiente para ameaçar a Sérvia. No papel, sempre, porque a Davis é imprevisível.

Argentina 4×1 Romênia


Palmas, palmas, muitas palmas para David Nalbandian. Esse cara merece uma estátua em cada quadra de tênis da Argentina. Ele disse que o jogo (que venceu) contra Adrian Ungur foi uma das piores coisas que aconteceram na sua vida, por causa das dores que o acompanham já há alguns anos. Triste constatar, mas o velho Nalba está esgotado e a Argentina precisa mexer os pauzinhos para substituí-lo. Está na hora de Juan Martín dar as caras.

Cazaquistão 3×2 República Tcheca


Em mais um momento Vergonha Alheia, Tomas Berdych mostrou que a onda camisa-amarela definitivamente não dá sorte (certo, Roger?). O tcheco fez bem em se apresentar nas duplas e colocar o país da casa na frente, mas simplesmente não podia perder para Andrey Golubev se não fosse em 70/68 no quinto set. Ainda mais triste é ver um time formado por russos naturalizados avançar, enquanto a tradicional Rússia fica pelo caminho.

Espanha 4×1 Bélgica


Esse confronto serviu para tirar quatro conclusões:

  1. Nadal está recuperado da lesão e bastante a fim de ganhar a Davis.
  2. Ferrer chega cansado a Indian Wells.
  3. Mesmo com baixos e altos, Fernando Verdasco tem mostrado um tênis de qualidade em 2011.
  4. Feliciano López foi capaz de perder para Steve Darcis.

EUA 4×1 Chile


Houve mais emoção nesse confronto do que o esperado. Andy Roddick fazer apenas quatro aces contra o Nicolas Massú já era um mau presságio. Tudo bem que é saibro, mas se o Roddick não for capaz de fazer aces no saibro, imagino quem seja… Então vem John Isner e bellucciza tudo, levando o jogo para o quinto set, ficando esgotado, baixando a cabeça, além de atrasar minha volta para casa. Irmãos Bryan confirmaram, mas não fizeram uma excelente partida, Roddick perdeu o primeiro set contra Paul Capdeville, enfim. O importante é que os EUA enfrentam a Espanha em casa e, caso escolham a grama, dá jogo.

Eu até gostaria de dar palpites para as quartas, mas sem saber o piso e quais jogadores estarão disponíveis, é impossível.

Amanhã começa a temporada de Masters 1000, torneios mais importantes na definição do ranking. Vamos ficar de olho!

 

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2 Comentários

Arquivado em Copa Davis

2 Respostas para “Recap: Copa Davis

  1. Estou ancioso pelo confronto entre Estados Unidos e Espanha. Ou será numa quadra sintética coberta (talvez até o carpete) ou então na grama. E muito se diz que Austin – cidade onde Roddick vive – poderia abrigar o duelo. Nadal e A-Rod na grama seria show, dois dos 3 (o outro é Federer) dos melhores jogadores em Wimbledon nos últimos 5 anos.

    Parabéns pelo blog, não conhecia 😉

  2. – Em primeiro lugar, foi lindo ver novamente a Argentina jogando em casa. O jogo do Monaco contra o Hanescu parecia futebol. E o que dizer do Nalba? O cara estava destruído. Levou sua partida até o final (um pouco disso se deve ao apoio do estadio lotado em plena sexta feira na hora do almoço). Depois de cumprir o compromisso, resolveu dar a chance para o Schwank jogar no domingo, para não prejudicar o time. Sério. Ninguém merece mais uma Davis do que esse cara.

    – Contrastando com os argentinos tem a cena lamentável da torcida tcheca que abandonou o Hajek quando ele perdeu o 3º set, deixando-o sozinho e desanimado em meio a um grupinho de russos naturalizados (e isso inclui os torcedores cazaques) cantando “Sai do chão! Sai do chão! A torcida do Mengão!” em russo. (Durante o jogo até pensei que o som viesse dos tchecos). Berdych amarelou? SIM. E é o principal culpado pela derrota. Mas a torcida contribuiu para o melancólico pneu no último set do confronto.

    – Sobre os russos naturalizados, eu lembro de uma matéria recente na Tennis View falando da estrutura que o cazaquistão oferece para os atletas treinarem. Eles começaram importando jogadores da Rússia e os desenvolvendo. Mas o plano é colocá-los como modelo para os cazaques originais levarem o nome do país no futuro.

    – A França deu uma yaninada 2.0
    – Isner conseguiu a proeza de perder para um “jogador de future”. Mesmo no saibro é feio.

    – Não deixei de esconder uma certa satisfação com o desempenho dos indianos. Lógico que a Sérvia era amplamente favorita e confirmou a condição. Mas o que tinha de povinho falando que a Sérvia ia atropelar, que os indianos são muito fracos, Sérvia não é Brasil, Bellucci é isso e aquilo… Devvarman deu trabalho pro Federer há 10 dias e “ninguém lembra”.

    – Nadal jogou? Nem vi.

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