Sem forças

É como eu me sinto e, certamente, como se sentem Novak Djokovic e Rafael Nadal após o Masters 1000 de Miami, na minha opinião, o melhor torneio da temporada. O Aberto da Austrália também teve momentos inesquecíveis, mas Miami serviu para consolidar praticamente tudo que vimos em Melbourne. Como a mente está meio lenta, vamos por partes:

Djokovic

Se eu fosse o sérvio, faria uma boa pausa agora. Não há por que pensar em ser número 1 por enquanto, já que isso está mais nas mãos de Nadal do que nas suas. O sérvio está evidentemente exausto e não precisa mais provar nada a ninguém até Roland Garros. Por mais polêmico que seja, acho justo que Nole não jogue Belgrado e vá apenas aos Masters 1000, para não fazer feio em Paris.

Tirando isso, muitos parabéns a Nole, que aprendeu a ganhar jogos no mental. Isso era inimaginável até o ano passado. A final contra Nadal me lembrou muito o jogo entre o espanhol e Andy Murray na semifinal do ATP de Londres. A mesma tensão, os mesmos ralis, o mesmo drama. Eu sentia que Djokovic não suportaria o tiebreak, mas fui felizmente desmentida por ele novamente. Continue provando que estou errada, Nole.

Nadal

Como no ano passado, Rafa começou mal, com lesão, e foi encontrando seu jogo aos poucos. O líder do ranking que vimos em Indian Wells e Miami ainda é suficiente para derrotar Federer, mas não para vencer três Grand Slam. O saque do espanhol ainda não é confiável o tempo todo e o cansaço no fim do terceiro set foi alarmante. Porém, se há alguém que gosta de desmentir todo mundo, é o nosso Mogli favorito. Numa análise fria, Nadal é amplo favorito no saibro europeu e, mesmo se não gabaritar tudo de novo, perderá poucos pontos (não estou secando, juro).

Federer

Eu me recuso a discutir a questão da decadência. Sério, se você acha que um cara de 29 anos chegar a um milhão de semifinais seguidas um sinal de decadência, você tem problemas. O Federer sempre teve dificuldades ao jogar com o Nadal e isso não mudou. Parecia ter mudado no ATP Finals, mas o backhand deixou o suíço na mão novamente. A novidade aqui é Federer emperrar no Djokovic. Mas, novamente, isso tem mais a ver com o sérvio do que com o próprio Roger.

Enquanto o circuito for composto de fregueses do Federer (exceto Rafa e Murray), ele pode dormir tranquilamente ao lado da Mirka e da cria. Ser número 3 e quem sabe faturar Wimbledon ou o US Open não é nada humilhante. É algo que 99,9% dos jogadores vai passar a vida inteira sonhando em fazer.

Murray


Curiosamente, o único top 5 que subiu de posição foi o britânico, que tem superado a cada torneio seu nível de #vergonhaalheia. Ser humilhado numa final de Slam pela terceira vez é triste, perder para o Baghdatis na estreia de Roterdã também, mas derrotas diante de Young e Bogomolov é algo tão bizarro que eu custo a acreditar que aconteceu até agora.

Enquanto Robin Soderling não ganhar um torneio no qual ele não é cabeça 1, o Murray tem tempo de escolher um novo técnico AS SOON AS POSSIBLE e pedir para a mãe dele parar de provocar tenistas no Twitter. Ok, ela é engraçada, mas só piora ainda mais a imagem do filho, que já não é muito boa. Pode ser teimosia minha, mas Murray pode recuperar seu terreno ainda no primeiro semestre.

Go WTA!


Adorei o torneio feminino de Miami. Jogos emocionantes (como sempre a WTA oferece), mas também boas surpresas, que saíram da dominância Wozniacki-Clijsters. Eu apostava em Zvonareva para levar essa, mas confesso que foi muito interessante ver a simpática Victoria Azarenka campeã. Mais do que carismática, ela foi agressiva, menos instável, inteligente em quadra e corajosa.

Foi bonito também ver a luta de Maria Sharapova para vencer a terceira final que disputou em Miami. O jeito sério e determinado da russa às vezes passa a impressão de que Masha é metida, mas, na verdade, acho que é apenas a postura de alguém que está angustiada em ter que reconquistar todo o prestígio e favoritismo que já teve um dia. O caso de Ana Ivanovic é parecido, mas a sérvia acabou sucumbindo numa partida inacreditável contra Clijsters.

E acho que teremos uma nova top 10 em breve: Andrea Petkovic. Com um ótimo trabalho de imagem pessoal combinado com um jeito meio “sérvio” de se comportar em quadra, Petko sofreu emocionalmente na semifinal. No entanto, não é algo a se condenar, já que era Sharapova do outro lado da quadra. Sobre a “polêmica” da russa ter ironizado a dança (agora extinta, snif) da sérvia alemã, acho que foi mais uma maneira de Sharapova reafirmar sua experiência como uma arma diante das tenistas que estão chegando e subindo no ranking.

Bom, agora chega o saibro. Coincidentemente, o primeiro aniversário deste blog/site/coluna. Criei este espaço aqui para exercitar a arte de passar minhas ideias sobre tênis para algo mais estruturado do que o Twitter e estou feliz com o resultado. Até domingo que vem! GAME ON.

 

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3 Comentários

Arquivado em Masters 1000, Torneios WTA

3 Respostas para “Sem forças

  1. Aaaah, bom. Passei aqui pra ver se vc ia falar mal da Maria. Mas vejo que você a conhece e sabe que ela não é metida rs.
    O comportamento sério de Sharapova em quadra sempre passou a impressão errada, de arrogância. Ele é concentrada em quadra, simples assim.
    Quanto à polêmica da dancinha da Petko… não sentirei saudades rs.
    Bjs!

  2. Ju Penna

    eeee!! Acordar e saber que o Djoker ganhou do Nadal alegrou a minha ressaca!! huahauhauhaha
    😀

    Bom post!!

    ps: a Magra tá dando tanta zica nos palpites qto vc ultimamente (quaase)! hehehe

  3. Fiquei com dó do Nadal ontem hahaha, nunca vi ele se dobrando de cansado. O interessante esse ano vai ser ver qm ganha da confiança do Djokovic. Espero que seja o Federer 😉
    O povo é mto falador, é complicado… mas é compreensível. Sempre se cobra mais de quem se espera mais. De qq forma, deve ser foda pra ele ganhar o q ganhou e ter q ouvir esse tipo de coisa.

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