O protagonista

Depois que Novak Djokovic ganhou o Aberto da Austrália, eu o chamei de “Melhor Ator Coadjuvante”. A razão era simples: desde que Roger Federer começou a revolucionar o tênis (em 2003) e com a ascensão da sua pedra-no-sapato, Rafael Nadal, parecia que ninguém seria capaz de ser melhor que eles. Poderiam até pescar um Slam (Del Potro) ou vencê-los uma vez ou outra (Andy Murray), mas nunca tirar deles o protagonismo. Até agora.

A grandeza dos feitos de Djokovic não está apenas nos números (37 vitórias no ano, a 5 do recorde de John McEnroe), mas no fato do sérvio ter enfrentado e destruído três vezes o suíço e quatro o espanhol, duas delas no saibro, território em que Nadal é (era?) absoluto há seis anos no mínimo.

Além de tudo isso, também impressiona o quanto esse tenista é tão diferente daquele de 2008, 2009 e 2010. Djokovic sempre teve talento e muita garra (ok, tirando os abandonos suspeitos), mas o sérvio era tão bipolar quanto o Murray ainda é, não inspirava confiança, não tinha toques de genialidade, não sacava tão bem, não tinha um forehand reverso (sorry, aquilo é muito forte para ser um backhand), não aguentava mais de 2h em quadra, etc, etc, etc. Eu só lembro que esse cara é o mesmo de antes por causa dos seus inconfundíveis espacates.

Não faço ideia de quem o trouxe (Nole fala em problemas pessoais resolvidos), mas nós o vimos um pouco naquela semi com o Federer no US Open, mais ainda na Copa Davis e 2011 tem sido esse absoluto massacre. Contra o número 5 do mundo, pneu. Contra o número 4, uma lavada na Austrália e uma batalha em Roma vencida mais no coração do que na raquete. Contra o número 3, três vitórias fáceis. Contra o número 1, duas viradas na quadra dura e nenhum set perdido no saibro.

Por isso, Djokovic chega a Roland Garros como protagonista. Na minha opinião, isso é ruim para ele. Porque tênis em melhor de cinco sets é outro esporte, um no qual Federer e Nadal estão bem menos sujeitos a zebras. Mas principalmente porque hoje o espanhol e o suíço não têm nenhuma pressão.

O cenário do ranking é simples: Nadal tem que ser campeão para continuar como número 1 e ainda torcer para Djokovic não chegar à final. Mesmo que o sérvio seja vítima de uma zebra e caia na estreia, o espanhol também é obrigado a vencer o título. Pensando em probabilidades, é muito fácil cravar que Djokovic será o líder. Mas eu não quero duvidar do sucesso de Nadal, nem de um eventual fracasso de Djokovic. Assim como clássico, Grand Slam é Grand Slam e vice-versa.

If I can dream… 

Essa foi a frase que Murray tuitou após perder aquele jogo épico contra Djokovic. O britânico ainda é um tenista muito imaturo e talvez ainda tomará muitas pancadas (como Djokovic já tomou também), mas eu não concordo que ele é amarelão, desculpa.

Podem chamá-lo de inconstante, displicente, louco, instável, mas eu nunca vi o Murray perder um jogo que estava em suas mãos. Se você lembra, fale aí nos comentários. Eu já vi o Murray perder jogos extremamente disputados (como contra o Nadal no ATP Finals, bem parecido com esse do Djokovic) e tomar uma surra em finais de Grand Slam ou cair diante de jogadores inferiores. Mas nunca vi o Murray entregar uma partida, como fez no sábado.

Como fã sofrida do cabeludo, eu xinguei muito nesse jogo, mas estou confiante no seu futuro. Murray era imprestável no saibro até agora e teve bons resultados, melhores que os da quadra rápida. É candidato a Roland Garros sim. E fez 24 anos no domingo. O que eu espero é que, assim como Nole, ele aprenda com as porradas que está levando.

Sobre as muié: farei um post durante a semana, que será publicado no blog “Break Point” e aqui também.

Bring it on, Paris!

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7 Comentários

Arquivado em Masters 1000

7 Respostas para “O protagonista

  1. Eu me rendo….

    não sei se foi a tal dieta, se foram problemas pessoais resolvidos, se foi um pacto com alguma entidade, alguma água santa… Nole está com tudo. Fato! Óbvio! Eu vi, você viu, todos estão vendo…

    É claro que isso tudo é fruto de muito trabalho, seja ele físico, técnico ou mental. A evolução é gritante. Ainda não o vimos jogar sob muita pressão. Os Grand Slams conquistados por Djokovic foram alcançados quando o sérvio não era um dos favoritos… em Paris, independente do que Rafa já fez lá até hoje, Nole é sim o FAVORITO, muito por seus números, mas mais ainda pelo que está jogando… principalmente nos momentos importantes, quando o adversário tem um set e quebra de vantagem (Bellucci), quando o adversário vai sacar para o jogo (Môri) ou quando o jogo em questão é simplesmente uma final de torneio (Nadal 2x).
    As vitórias sobre Nadal em Madrid-Roma são incontestáveis. Não há desculpas, como os fãs do espanhol (me incluo nessa) tentaram achar em IW.
    Em Grand Slam tudo pode acontecer principalmente em RG, com suas progamações malucas, que em caso de chuva (e sim, elas são BEM prováveis) bagunçam toda a rodada (Nadal que o diga…).
    Torço, mais do que nunca, pelo espanhol. Não pela liderança do ranking, é óbvio que nas condições normais de temperatura e pressão ela irá para a Sérvia, é questão de tempo. Mas quero mesmo que vença aquele que trabalhou para isso, que se dedicou, que quer isso mais do que os outros. E se esse alguém for o Novak, eu o aplaudirei.
    Elogiamos tanto a evolução e o trabalho feito por Nadal para completar o career Slam. É isso! O que o Nole fez foi evoluir. O espantoso é que ele passou de uma sombra para um tenista com resultados fenomenais.
    Let’s go see what will happen…

  2. Marcela

    RG será muito interessante!
    Djokovic é favorito! O jogo dele está encaixando com o do Nadal. O jogo de ontem é a prova definitiva disso! É tão bom ver alguém ganhando no saibro com agressividade! =D
    Nadal, por sua vez, vai dar a alma para ganhar esse torneio. E que ninguém duvide das pernas e da cabeça do espanhol!
    Murray descobriu q pode surpreender no saibro (!!!!!!!) que antes o incomodava tanto. Eu não iria querer sair na chave do britânico!
    Soderling faz um início de ano ok. Mas, por dois anos consecutivos, RG foi o grande momento dele, eliminando Rafael Nadal e Roger Ferderer… Não precisa dizer mais nada!
    O suíço… Bem nunca é surpresa mais um trófeu de Slam no armário de Roger Federer! =D

    Ótimo post, She! Imagino sua felicidade em um escrever uma matéria com o título “O Protagonista” que se refira a Novak! uhhuahuua… Demorou, mas chegou! =P

  3. Gabriel Diniz

    5 sets são definitivamente outra história. Tudo é aumentado, especialmente a chance de se frustrar, overthinkar, distrair, temer, cansar. Se eu fosse apostar em RG iria de Nadal, desde que o dinheiro não fosse meu.
    Sobre o Murray, nunca entendi porque ele tem um desempenho tão ruim na terra (nenhuma final em saibro, independente do nível do torneio). Se o negócio dele é correr atrás da felpudinha pra contra-atacar, quanto mais lento melhor, right? Não afirmaria que agora ele ‘sabe’ disso, pois o jogo contra Djoko tinha como aditivos a vingança de AO e a chance de acabar com a invencibilidade histórica, mas de toda forma foi um jogo acima das expectativas andrewianas (excetuando as duplas faltas, não dá pra perdoar nunca isso. Para citar um grande filósofo, “ele overthikou”).
    Sobre Nadal-Djoker: acho que é herança do futebol o jeito como alguns – brasileiros ou não- tratam a coisa. O que quero dizer é: http://bit.ly/lktfX0 Chill out, Relaxa, Sosseguem, Aproveitem o espetáculo e que vença o melhor, seja ele o Giraldo, Nole, Rafa, Rogério Federer ou Miguel Llodra.

  4. Vamos lá! Hora de falar do Bonde do Djokão!

    Muito se fala em mudança mental, física, estilo de jogo, alimentação sem gluten (para desespero do Papa Djoko, dono de pizzaria), mas o que fez o cara vencer tanto, acredito eu, foi a resolução de problemas de níveis oftalmológicos.

    Lembra do “jogo do olho”, contra o Nadal no ATP Finals? O cara perdeu a lente, ficou meio desorientado. Acabou perdendo aquela partida e não viu a cor da bola contra o Federer. No meio do caminho teve o Roddick, mas… o cara perdeu pro Berdych (que estava em DD) naquele torneio!

    Aí o cara foi no oculista (como se diz aqui no interiorrrr) trocou as lentes e passou a enxegar um mundo melhor. Ouso dizer que Federer e Nadal só ganharam tudo o que ganharam por que o Djoko tava debilitado este tempo todo.

    Quanto à série invicta, é espetacular demais pra ser quebrada pelo chato 1 ou pelo chato 2 (fanáticos por Nadal e Federer que definam quem é o chato 1 e quem é o chato 2). Tem que perder para um aleatório, Dolgo, Monfils, Bellusco… Até se perdesse pro Verdasco seria legal! Pensa o Djoko vcerdascando!

    Já o Murray… Talvez eu me identifique com o cabelo e tal. Sei lá… Eu seria amigo dele na escola. Assisto um jogo dele e me pergunto: “Como esse cara não tem um Slam?” aí o cidadão saca para fechar um jogo e quebrar a série invicta do amigo/rival e cede um game com uma dupla-falta (Dementieva nunca é esquecida…)

    Pro Rolanga, ainda coloco Nadal como favorito e as semis devem os “quatro grandes”. Desculpa, Söderling.

  5. ju penna

    Sheeeeeila!

    Ótimo post, mulher!
    Mas sei lá, acho que dessa vez a pressão tá bem mais sobre o Nadal do que sobre o Djoker… ele simplesmente não pode errar!
    Enfim, goo Djoker!!!
    (eu num aguentava mais ver o Nadal ganhando tudo ano passado! :P)

    E vou continuar acompanhado por aq, já que RG eu passo!! hehehehe
    (5 sets não-rola!)

    bjos

  6. Lays Guerrero

    Ó, com o Michel e o Mário mitando nos comentários, fica difícil pra mim!

    Mas enfim, se um dia eu pudesse sonhar que nem o Murray em um cara na ATP que ficaria 5 meses sem perder, esse cara não seria o Djokovic!
    Principalmente pelo seu passado, como você mesmo citou, de ser ‘fraco’ fisicamente e os abandonos suspeitos.
    Não consigo achar um motivo para isso, o Djokovic entrou em um estado de confiança que para ganhar dele tem que ser na garra, e não apenas no jogo. Parece que ele fez um transplante de cabeça!
    Federer não conseguiu, Murray não consegui, Belluci também (tem que prestigiar o Brasil) e, principalmente, Nadal não conseguiu.

    Quatro finais, duas no hard com jogos emocionantes; duas no saibro, com dois sets a zero.
    Como isso, Nadal?…perder com dificuldade no hard dá pra entender, mas em 2 sets no saibro? Cai meu queixo da cara!

    Mas agora é outro momento, Roland Garros é um grand slam, é 3 sets, é outra pegada.
    Pra mim, apesar dessa monstruosidade do Nole, Rafinha é favorito absoluto!
    São 5 títulos contra nenhuma final! Eu aposto nele fácil!

    Correndo por fora vem Murray, que graças a Deus voltou a vencer, e complicou para os dois melhores até agora. Gostei dele no saibro, espero que não faça fanfarronice em Paris.
    Talvez Federer…se o cara perder para Djokovic, Nadal e Murray, aceito; mas se voltar a perder pra Gasquet, me tira os olhos da cara, não consigo!
    E da pra considerar também Ferrer, talvez Soderling…e Verdasco (mentira, esse é piadinha)

    Talvez possa rolar surpresas em Paris, mas no segundo domingo eu acho que é Djokovic e Nadal.

  7. yan

    Acho que o Djokovic é favorito a ganhar Roland Garros, inclusive se a final for contra o Nadal, essa é a final que eu torço, mesmo sendo mais fã do Federer, não tenho muitas expectativas pro suiço em Paris, mas não podemos dúvidar de nada, mas não entra como candidato ao título, isso é fato. Mas tenho pra mim que o Nadal vai treinar muito essa semana, tio Toni não deve estar nada satisfeito com seu sobrinho, rsrs. Nadal vai ter que encontrar um novo jeito de jogar, se não mudar, perde a possível final, pq até a final acho que ele chega; agora a expectativa fica por contas das chaves… falando nisso, alguém sabe quando as chaves serão sorteadas ?

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