Arquivo da categoria: Torneios ATP

Ressaca australiana

No último post, eu falei apenas da final masculina do Australian Open, deixando as mulheres de lado mais uma vez (Sheila, sua machista!). Na verdade, o fato é que estão ocorrendo algumas mudanças na WTA recentemente e todas se relacionam a Kim Clijsters de alguma forma. Então, o primeiro destaque do dia é ela.


Nesta semana, a Clijsters se tornou a nova-antiga número 1 do ranking. A primeira vez que ela esteve no topo foi em 2003 e isso diz muito sobre o circuito feminino hoje em dia. Olhando o top 20, a maioria tem menos de 25 e, mesmo assim, as “velhas” Kim e Na Li foram as finalistas na Austrália. Isso significa que as novatas não têm talento? Não. Na realidade, são as pós-25 que mostram atualmente uma forma física impressionante.

Tirando a Venus Williams e a Justine Henin (que desistiu de voltar, logo a norte-americana deve fazer o mesmo), temos grandes jogadoras hoje em dia em excelente forma num estágio mais ou menos avançado de suas carreiras: Stosur, Schiavone, Pennetta, Kuznetsova, Na Li, até a Zvonareva, que tem cara de menina, mas já tem seus 26… tanto nos Grand Slams, quanto na Fed Cup, que acompanhamos recentemente, essas tenistas foram os destaques. A impressão que dá, quando vemos as partidas, é que a idade não faz diferença na parte física do jogo, mas faz MUITA na parte mental.

Clijsters é a jogadora mais talentosa em atividade atualmente e, quando a Serena voltar… continuará sendo! A Serena é mais forte nos músculos, na garra e na confiança, e isso você não encontra em nenhuma outra tenista da WTA. Mas a Mamãe Kim conseguiu sair da sombra de Henin, pegar um momento propício, sem as Williams, e o aproveitou quase totalmente ao seu favor: US Open, Masters de Doha, Australian Open. Além disso, Kim inspira tanta confiança, que, quando sai atrás no placar, todos sabem que acontecerá a virada. Foi assim em Melbourne e em Paris, na partida que lhe deu o número 1. É simples: não há como dizer que, hoje, ela não é a melhor tenista em atividade.

Porém, onde fica Caroline Wozniacki nessa história? A dinamarquesa pode muito bem recuperar a posição em pouquíssimo tempo e será premiada novamente por sua regularidade e (why not?) seu talento. Certamente, Wozniacki se saiu melhor no posto de número-1-sem-Slam do que Jankovic e Safina, muito devido a seu temperamento calmo e humilde. Wozniacki não é egocêntrica, sabe onde estão as suas falhas e o que deve fazer para melhorá-las, nesse aspecto, ela me lembra o Nadal. É bom para ela ficar fora dos holofotes por um tempo e trabalhar para ser a melhor tenista que pode ser. Antes que me esqueça, como ela estava linda no prêmio Laureus!

Um fator que poderá mudar tudo e jogar esse top 10 de cabeça para baixo é a volta de Serena, cada vez mais próxima. Tremei, WTA!

 

 


No saibro sul-americano… vencem os espanhóis!

Já acabaram Santiago e Costa do Sauípe na turnê sul-americana de saibro, faltando Buenos Aires e Acapulco. Até agora, só os espanhóis fizeram a festa: Robredo no Chile e Almagro no Brasil. Na Bahia, Alexandr Dolgopolov mostrou que não será um nome passageiro (assim como Raonic está fazendo no torneio de San Jose), mas a experiência do “segundo escalão espanhol” tem feito a diferença ainda. Thomaz Bellucci se esforça, mas esbarra em chances desperdiçadas e torções azaradas no pé. O paulista parece que está buscando melhorar seu jogo, não ficar tão dependente de seu saque e forehand, mas o processo é longo e muitos dos drop-shots e voleios que ele tenta são ruins.

De qualquer forma, ele está tentando. O problema é que o circuito não vai ficar sentado esperando Bellucci ser um tenista melhor. O top 30 já escapou, o top 20 parece um sonho já bem distante e é necessário tomar cuidado para o top 40 não ir embora. Quem tem dado boas alegrias são Marcelo Melo e Bruno Soares, campeões em Santiago e no Sauípe. Que os mineiros não percam o embalo e consigam bons resultados em torneios mais importantes.

No resto do mundo, destaque para a boa campanha de Del Potro em San Jose, perdendo apenas na semifinal para Verdasco. O argentino faz muito bem em disputar torneios de quadra dura nos EUA, ao invés de ficar fazendo ralis com os espanhóis por aqui no saibro. Trabalhando dessa forma, Del Potro pode chegar numa boa condição para Miami e Indian Wells.

Winner da semana: Robin Soderling, fazendo o seu e mantendo a quarta posição do ranking com a boa campanha em Roterdã.

Dupla-falta da semana: Andy Murray. Roterdã era uma grande chance para o tri-vice de Slams mostrar que não está abatido e recuperar sua desgastada imagem. Cair na estreia definitivamente não ajudou muito…

1 comentário

Arquivado em Torneios ATP, Torneios WTA

Reviravoltas pré-Austrália

As duas semanas iniciais do ano são encaradas como meras “preliminares” para o Aberto da Austrália, mas a primeira delas já trouxe alguns indicadores sobre os tenistas mais importantes do circuito e como eles chegam a Melbourne para o primeiro Grand Slam de 2011. Vamos então a um comentário sobre os destaques dos últimos sete dias.

Roger Federer: campeão do torneio de Doha, o suíço mostrou que continua no mesmo embalo do segundo semestre de 2010. Com um jogo praticamente sem falhas, Federer só perde quando está aquelas viajadas (infelizmente, algo ainda comum), deixa de converter match-points ou diante de um Nadal num bom dia.

Rafael Nadal: confesso que fiquei com o pé atrás com o espanhol nessa semana de Doha. Rafinha entrou na chave de duplas, algo que a maioria dos jogadores fez, normal. Porém, mesmo demonstrando claro cansaço físico durante as partidas de simples, ele continuou jogando duplas. Nadal tomou um pneu (6/0) de Lukas Lacko (!!!!) e só não tomou outro do Davydenko porque o russo não quis. Daí, logo em seguida, ele jogou a final de duplas e foi campeão. Ele subitamente superou o cansaço por um título de duplas? Explica aí, Nadal!

Novak Djokovic: jogou a Copa Hopman, ou seja, só pegou ritmo de jogo. Não podemos saber ainda como está o seu jogo, já que suas férias foram menores e as comemorações da Davis duraram pelo menos até o Natal…

Andy Murray: também jogou a Copa Hopman. Já disse aqui que o Murray era uma boa aposta para a Austrália pelo piso que favorece, porém, o seu caminho ficará mais difícil. Com o título em Brisbane, Soderling assumiu a quarta posição do ranking no dia 10 de janeiro. Ou seja, Murray será o cabeça de chave 5, podendo encontrar Federer, Nadal ou Djokovic nas quartas. Ficou mais difícil…

Robin Soderling: o sueco se consolidou como melhor-tenista-do-ano-tirando-Nadal-Federer-Djokovic-e-Murray e agora busca o título de tenista-que-pode-ser-melhor-que-Djokovic-e-Murray. O Australian Open é uma grande oportunidade e Soderling parece menos acomodado do que o sérvio e o britânico. Com a condição de cabeça 4, a aposta nele é boa.

Nikolay Davydenko: estou quase apelidando o russo de JASON. Depois que ele perdeu a condição de quarto do mundo para o Murray, o Davydenko deu uma beeeela sumida. Voltou do nada e ganhou o ATP Finals e Doha em seguida. Ele estava de volta!!! Daí ele desapareceu outra vez (por causa de lesão, ok, mas faz parte) e ressurge na mesma hora e no mesmo lugar, Doha, com o vice-campeonato. Mesmo assim, ainda é cedo para saber se aqueeeeele Davydenko está de volta.

Stanislas Wawrinka: o suíço que não é o Federer mostrou que está bem, ganhou do Berdych na semifinal de Chennai e depois levou o título. Mas o verdadeiro babado da semana foi o pé que ele deu na esposa e na filha. A ex-mulher ainda deu entrevista no jornal falando que ele largou as duas porque queria “se dedicar totalmente ao tênis”. TENSO.

E vocês achavam que eu não falaria de WTA…

Ok, eu não dou muita atenção para as garotas, ainda mais agora que DIVA Elena Dementieva não está mais entre nós (snif). Porém, os primeiros títulos de 2011 já não deixaram uma boa impressão sobre o que veremos por aí.

Em Auckland, a organização fez uma super divulgação pela presença de Maria Sharapova, Dinara Safina e Svetlana Kuznetsova. O que eles não esperavam era que as bonitonas (ops, só a Sharapova é bonitona) perderiam logo no início. #epicfail. Então, pensávamos que Yanina Wickmayer seria campeã. Daí, o título acabou nas mãos da GRETA ARN. Minhas condolências ao diretor do torneio.

Em Brisbane, a Samantha Stosur também decepcionou, mas ainda está na minha lista de favs para o Aberto da Austrália. Então, todo mundo pensou “ah, a Andrea Petkovic vai vencer, legal, ela é simpática, tem a dancinha, é super simpática no Twitter, etc”. Mas a campeã foi a PETRA KVITOVA. Não é fácil.

Enquanto isso, Ana Ivanovic se machucou na Copa Hopman. Realmente uma pena, porque a sérvia parecia estar jogando muito bem. A Vera Zvonareva deu um pneu na Caroline Wozniacki em Hong Kong (será que a russa sai do vice?) e a Venus mostrou que dificilmente haverá um título das irmãs Williams nos Grand Slams desse ano.

5 Comentários

Arquivado em Torneios ATP, Torneios WTA

Previsões, digo, prognósticos para 2011

Ué, mas a temporada de tênis já recomeçou? Sim!

Na próxima semana, temos os torneios de Brisbane (feminino e masculino), Chennai, Auckland (feminino), Doha, a Copa Hopman e a exibição de Hong Kong. E todos os principais tenistas do mundo entram em quadra (exceto o Thomaz Bellucci, rs). Já tivemos até o primeiro título da temporada para Rafael Nadal em Abu Dhabi (mas não é torneio do circuito, então não tem lá aquele valor…). De qualquer forma, já passou da hora de fazer as previsões os prognósticos para 2011.

Como ficará a rivalidade Federer/Nadal?


Recentemente, os dois maiores ídolos do tênis disputaram quatro partidas e cada um ganhou duas. Mesmo que Roger Federer tenha vencido a única que realmente valia alguma coisa (a decisão do ATP Finals), não haverá supremacia de nenhum dos dois nessa temporada, pelo menos nos confrontos diretos. Nadal não vai conseguir defender todos os títulos de 2010 e Federer vai parar de perder match-points para jogadores inferiores (sim, Djokovic e Monfils, estou falando com vocês). Em termos de ranking, acho que Federer recupera o número 1, mas apenas lá no ATP Finals.

Soderling pode ameaçar Djokovic e Murray?


Único do top 5 em fase ascendente, Robin Soderling pode sim ameaçar o sérvio e o escocês, principalmente no começo do ano. Um título em Brisbane, uma final no Australian Open, um Masters 1000 e pronto, ele consegue. Eu apostaria que Soderling tira Djokovic do top 4, ao invés de Andy Murray. O sérvio teve poucas férias – por causa da Copa Davis – e não parece ter feito uma pré-temporada muito dedicada. Já o britânico tem mais pontos para defender nesse início de ano e mais urgência de se provar.

O que a WTA nos reserva, além de desmaios, gritos, desfiles de moda e choro?


Caroline Wozniacki é capaz de vencer um Grand Slam e é provável que ela consiga ainda neste ano, mas a liderança da WTA continuará trocando de mãos. Vera Zvonareva passará alguns dias sentindo o peso de ser a-número-1-que-nunca-venceu-um-Grand-Slam, Sharapova e Ivanovic vão chamar atenção e decepcionar novamente. O “retorno” da temporada será o de Dinara Safina, não o de Serena Williams, essa volta só para o US Open e olhe lá. No final da temporada, a Venus anuncia sua aposentadoria e todas fingem de ficam tristes (até porque, ela é mala, ao contrário da Dementieva).

O que o Bellucci vai fazer de bom?


Ele já fez, contratou o Larri Passos. Com todas as boas coisas que fez no ano passado e todas as pancadas que levou pelos vacilos, Bellucci está mais do que preparado para conquistar algo melhor. Isso significa um ATP 500, como aquele que escapou em Hamburgo, entrar de vez no top 20 ou chegar às quartas de um Grand Slam (o mais difícil das três coisas).

Feliz 2011 e muitos aces, fedais, balões, passadas e uniformes de gosto duvidoso!


Deixe um comentário

Arquivado em Grand Slam, Torneios ATP, Torneios WTA

Minha lista de presentes de Natal

Ah, o Natal… uma bela desculpa para gastar muito, comer muito e não trabalhar, uma grande celebração mundial! Ao invés de usar o espaço para fazer retrospectivas – há muitas por aí melhores do que qualquer uma que eu faça – vamos deixar nossa lista de presentes para 2011.

1. MAIS EXIBIÇÕES COM O GUGA E GRANDES NOMES DO TÊNIS
Vocês viram a festa com Guga e Agassi neste sábado? Foi sensacional, uma viagem no passado, uma oportunidade de reconhecer um dos nossos heróis, de vê-lo cantando todo feliz e de trazer gente de primeira para se exibir aqui.
Este ano já tivemos Marat Safin, Yevgeny Kafelnikov, além do Agassi. O Sampras também já veio. Que tal chamar alguém ainda em atividade? Um Federer ou Nadal, maybe… (tá, sonhei, mas quem sabe?)


2. MURRAY CAMPEÃO DO AUSTRALIAN OPEN (OU QUALQUER OUTRO SLAM)
É muito sofrimento. Acho que nem os outros tenistas aguentam mais aquela cara de vou-me-matar do nosso Brit Number One ao ser eliminado de mais um Major. Que ele consiga o feito já no primeiro do ano, numa superfície amigável e tire logo a pressão dos ombros. Federer e Nadal não fazem TAAANTA questão da Austrália (sabemos que as meninas dos olhos deles estão no meio do ano), e o Djokovic ainda está bêbado pela conquista da Davis. Logo, levante a taça Murray!


3. NADAL E FEDERER NA FINAL DE ROLAND GARROS E WIMBLEDON
Em 2008, Nadal surpreendeu e venceu Wimbledon. No ano passado, foi Federer que quebrou a escrita e levou Roland Garros pela única vez. Nesse ano, o espanhol foi vencedor novamente na grama, só que para cima de Berdych. Acho MUITO JUSTO que a gente veja um Fedal na final de RG novamente e na Inglaterra. Estamos órfãos. A última final de Slam entre os dois foi na Austrália em 2009. Ou seja, há um milênio. Não é, Minnie?


4. FEDERER JOGANDO MUITO NA COPA DAVIS
Vimos com o Djokovic que a Davis é especial porque traz um gosto de conquista diferente do que os tops experimentam no circuito. E para um cara como Federer, que já ganhou tudo e mais um pouco, ACHO BEM JUSTO que ele busque caminhos alternativos. Roger já deixou claro que a Olimpíada de Londres é seu maior objetivo. Porém, enquanto ela não chega, o que custa fazer um test-drive vestindo a camisa suíça na Copa Davis? A Suíça está na segunda divisão, ok, mas ele pode considerar.


5. TOP 5 IMUNE A LESÕES
Chatíssimas essas lesões, cruzes. Este ano, atacaram Nadal, Federer, Roddick, Davydenko, Del Potro, Tsonga. Monfils… ou seja, estragaram nossa vida. No feminino, já é um pouco diferente. Pode deixar a Serena no estaleiro, garanto que ela está feliz assim, mas queremos Henin em forma.


Esses são os meus pedidos. Será que eu esqueci de algum?

 


 

Deixe um comentário

Arquivado em Torneios ATP, Torneios WTA

Vida longa ao Quarteto Fantástico

O fim de semana passado foi corrido e eu não consegui fazer a prévia do ATP Finals. De qualquer forma, nada aconteceu além do esperado. Apesar da excelente campanha em Paris, o Soderling não tem um terço do brilhantismo do Murray. Portanto, temos mais uma temporada terminando com o Quarteto Fantástico no topo do tênis.

Teremos na decisão do ATP Finals um Federer x Nadal que fez muita falta durante o ano (tivemos apenas um meia-boca no primeiro semestre) e não há favorito. Por mais que o retrospecto do espanhol seja muito melhor no geral e Nadal tenha feito um 2010 melhor, Federer está firme como no meio de 2009. É justo que suas forças sejam medidas no momento final.

Como fã de tênis, tenho que reconhecer que estamos vivendo uma época de ouro. Federer, Nadal, Djokovic e Murray proporcionam espetáculos a todo momento, tanto no lado técnico quanto emocional. Não estou colocando os quatro no mesmo nível, acredito que Federer seja o melhor de todos os tempos, mas o suíço tem coadjuvantes de muito respeito.

Nadal e sua mistura aparentemente contraditória de muita raça com extrema frieza. Sim, o espanhol é MUITO FRIO. Não importa qual seja o placar, ele vira como se fosse a coisa mais fácil do mundo e ainda sai correndo como se nada tivesse acontecido depois. Consciente de suas falhas, tanto que melhorou muitas delas, Nadal é um monstro, um muro gigante que até o melhor da história tem dificuldade para escalar.

Djokovic não será número 1 do mundo, mas só pelo que ele fez naquela semifinal do US Open e na Copa Davis, merece todo o respeito. No dia 3, o sérvio joga a final da competição de países em casa, contra a França, e a nação está em suas costas. Curiosamente, parece que Djoker cresce exatamente nesses momentos. E o que dizer de seu espírito bem-humorado? Depois de um jogo reclamando de lentes de contato, ele aparece com um tapa-olho na próxima partida! Salve Nole e seu carisma que persiste, apesar das derrotas.

Sei que já fiz inúmeros posts sobre Andy Murray, mas nunca é demais falar desse BRILHANTE britânico, sempre inconsolável e incrédulo por sua falta de sorte. Se ele souber sobreviver psicologicamente a esses traumas, será um nome para a história, assim como Federer e Nadal. A garra e o talento que Murray mostrou hoje fizeram da partida de hoje a melhor do ano. Talvez não será a mais lembrada, já que Federer x Djokovic no US Open e Isner x Mahut em Wimbledon foram em Grand Slams. Mas, se vale alguma coisa, eternizo neste espaço.

VIDA LONGA AO QUARTETO!

1 comentário

Arquivado em Torneios ATP

The week

Após muitos posts falando de apenas um jogador, volto hoje a fazer comentários gerais sobre a semana. O circuito da WTA já teve o Masters, porém, outras tenistas que foram bem no ano jogaram em Bali. Na ATP, Valência e Basileia foram os palcos dos principais torneios da semana, além da final da Fed Cup, que ainda não foi definida. Vamos aos campeões, então?

Ivanovic, Bali
Depois de dois anos de absoluta decadência, a musa sérvia dá sinais de que pode voltar ao top 10 em 2011. Ivanovic chegou a ser 60ª do mundo e jogou muitos torneios através de convites (o que o carisma não faz…). Fez boas apresentações contra tenistas em melhor fase que ela e parece mais concentrada no seu jogo. Como sempre coloco Ivanovic e Sharapova no mesmo pacote, estou curiosa para saber qual das duas fará mais estrago na próxima temporada.

Federer, Basileia
Nosso querido Roger está conquistando os títulos que faltaram no primeiro semestre para manter a média anual. Vencer Djokovic foi importante (acho que vai ser ainda mais difícil para o sérvio batê-lo depois do US Open). A boa campanha de Federer nesse fim de ano só reforça a ideia de que ele vem jogando muito bem desde a temporada norte-americana. Como sempre, gostaria de ver um Federer x Nadal para ver como eles se comportariam. A única vez neste ano foi na temporada de saibro, onde o Nadal sempre foi superior. O duelo não será no Masters de Paris, já que o espanhol abandonou. Porém, espero que o número 1 vá a Londres.

Irmãos Bryan e Murray, Basileia e Valência
Assim como Federer, os irmãos Bryan são assustadoramente vencedores no maravilhoso mundo das duplas. Na verdade, mais, porque eles são os recordistas de conquistas (coisa que o suíço não deve alcançar). Na terra de Roger, os gêmeos que comemoram batendo o peito (e me assustam com isso) levaram o 66º (!!!!!!!!!!!!) caneco da parceria que começou dentro de uma barriga (ok, péssimo).

No entanto, a grande supresa foi a vitória dos irmãos Murray em Valência. Andy (o bom) e Jamie (o duplista, ou seja, o que não deu tão certo) pararam de jogar juntos quando o viciado em videogames virou sensação. Jamie se casou recentemente, com o irmão de padrinho, e a festa deve ter estreitado os laços entre eles. Mesmo com a derrota patética diante de Juan Monaco em simples, Andy não saiu de Valência com as mãos vazias.

Ferrer, Valência
David Ferrer já foi número 4 do mundo, mas isso não quer dizer muita coisa. Ele faz o tipo sei-que-sou-limitado-mas-supero-tudo-na-garra. De qualquer forma, ele conquistou um título importante e está quase garantido no ATP Finals (torneio que reúne os 8 melhores do ano). Nadal, Federer, Djokovic, Murray e Soderling já têm seus lugares garantidos. Com os resultados dessa semana, Ferrer, Roddick e Berdych já podem também reservar o hotel.

Na próxima semana: Masters de Paris e previsões para o gran finale em Londres. Deixo vocês com o vídeo da semana. O grande Pat Rafter imitando (no modo #fail) os truques do Federer. Saudade dele e dos malucos que jogavam há algum tempo. O povo de hoje é muito comportado…

1 comentário

Arquivado em Torneios ATP, Torneios WTA

Um brinde à harmonia da casa!

Eu não tenho falado sobre Thomaz Bellucci nos últimos posts porque estava esperando a sua temporada acabar (ainda faltam o challenger de São Paulo e o Masters 1000 de Paris). Mas, diante da entrevista polêmica que o tenista deu nessa semana e a resposta duríssima dos citados por ele, decidir adiantar um pouco as coisas. O texto continua sendo um panorama do 2010 de Bellucci, mas com uma conclusão diferente.

Resumo do bafão: numa coletiva nesta semana, Bellucci afirmou que os técnicos brasileiros não têm um bom nível, que tenistas top 30 são obrigados a buscar orientação no exterior e que os ex-jogadores deveriam fazer mais para desenvolver o esporte no país. Nomes como Carlos Alberto Kirmayr, Fernando Roese, Paulo Cleto e Fernando Meligeni reagiram com veemência, dizendo que o número 1 do Brasil deveria ser mais grato e reconhecer o que eles fazem pelo tênis nacional.

Há um ano, eu fui ao Clube Harmonia lá nos Jardins (lá porque eu moro muito longe dessa região) ver Thomaz Bellucci jogar. Era a final do challenger de São Paulo, o mesmo que ele disputará agora, contra o equatoriano Nicolas Lapentti. Tomei um sol desgraçado e fiquei com uma marca de sol no braço que durou QUATRO meses.

Decidi vê-lo pessoalmente, ao invés de na Sportv, porque tinha absoluta certeza de que Bellucci dificilmente voltaria a jogar em São Paulo. Ele venceu a partida jogando bem, “vingou” a derrota que sofreu para Lapentti na Copa Davis e terminou o ano como 36º do mundo. Quando saí do clube, dei uma última olhadinha para Bellucci, de despedida (sim, sou patética, ignore).

O primeiro semestre de 2010 provava que eu estava certa. Bellucci entrou no top 30, ganhou seu terceiro título de ATP da carreira em Santiago, fez campanhas muito boas nos Masters de Miami e Roma e no 500 de Barcelona. Então, superou todas as expectativas chegando às oitavas de final em Roland Garros e jogando bem contra Rafael Nadal. Antes havia passado pelos experientes e talentosos Ivan Ljubicic e Michel Llodra.

Em Wimbledon, parou na terceira rodada contra Soderling. Normal. E então veio o momento da queda. No ATP 500 de Hamburgo, os grandes favoritos caíram antes das quartas de final, e o único que parecia ser capaz de tirar o título do brasileiro era o baleado Juan Carlos Ferrero. Porém, Bellucci perdeu um jogo duríssimo contra Andreas Seppi e começou a má fase.

Em Gstaad (onde defendia título), Masters de Toronto e New Havem, Bellucci perdeu na estreia. No US Open, aquela partida dramática contra Kevin Anderson, que mobilizou até quem não acompanha tênis e terminou num melancólico tiebreak de quinto set. Daí… veio a Copa Davis, o desastre, o abandono.

Bellucci não se tornou um monstro por ter desistido daquela partida. Talvez tenha demonstrado que não pode ser ainda o cara com que o Brasil pode contar. Mas as duras críticas que ele recebeu, principalmente de Fernando Meligeni, claramente tiveram um impacto na cabeça de Bellucci. Foi ele que sentiu a “ingratidão” de ir até a Índia depois de meses jogando contra os melhores, nos torneios mais duros, lutar até quase desmaiar e ainda ter taxado de amarelão.

E como o canhoto sempre esteve longe e suas entrevistas geralmente são mediadas por sua assessoria, nunca se soube (até essa semana) o que realmente Bellucci pensava sobre sua temporada e sua queda de rendimento. Mas é claro que ele leu tudo, estava muito atento, mas quieto.

De volta à estaca zero do challenger de São Paulo, onde assisti ao seu jogo no ano passado, Bellucci demonstrou na coletiva, apesar de ter se expressado muito mal, que se sente totalmente sozinho. Os ex-jogadores não demonstram publicamente que o apoiam, tampouco os críticos.

Pois é. Agora que Bellucci não terá apoio MESMO, com exceção da empresa que o gerencia. Em 2011, cada deslize seu será ainda mais criticado. Não é fácil ser um top 30, ainda mais no Brasil. O tênis nacional é composto por uma comunidade pequena (em relação a outros esportes), mas cheia de rixas, mal-entendidos, inveja e rusgas. O episódio Bellucci é só mais uma demonstração de como as pessoas que comandam esse esporte por aqui estão desunidas. Acho que dessa vez não verei o Bellucci jogar lá no Harmonia. Aproveitando a ocasião, um brinde à harmonia da casa!

Deixe um comentário

Arquivado em Copa Davis, Torneios ATP