Arquivo da tag: David Letterman

Os Outros

Já falei inúmeras vezes sobre a predominância de Roger Federer e Rafael Nadal no circuito. Por que eles venceram 24 dos últimos 28 Grand Slams (Gastón Gaudio, Marat Safin, Novak Djokovic e Juan Martín Del Potro são os “intrusos”), suas diferenças, atitudes, manias, opiniões, como se complementam, etc.

Até a primeira vitória de Nadal em Wimbledon, em 2008, a questão parecia simples: o canhoto era um dos melhores na história do saibro e Federer o supremo na grama. Hoje, o suíço tem seu Roland Garros no currículo e o espanhol chega ao segundo título na Inglaterra. Ou seja, eles são realmente especiais, únicos. Quando um deles está em má fase, o outro toma a liderança do ranking até a situação se inverter.

Não quero falar hoje sobre eles, mas sim sobre “os outros” (agora sim, uma clara referência a “Lost”). O resto? A impressão que temos é de que os outros tenistas são muito fracos por não conseguirem ameaçá-los. Os números até apóiam essa teoria, no entanto, ela está completamente errada. Temos EXCELENTES jogadores nessa geração.

Roddick foi eliminado nas oitavas

Apesar da eliminação surpreendente nas quartas, dá gosto de ver Andy Roddick jogar. Fico brava quando dizem que A-Rod é apenas saque. Ele é simplesmente um ótimo tenista que tem a competência de ser um dos melhores sacadores da história. Quem conta apenas com o serviço é o seu compatriota, John Isner, o vencedor do maior jogo da história (confira o vídeo no fim do post).

Djokovic caiu na semi, mas é número 2 do mundo

Novak Djokovic tem agilidade, ótimos golpes, um lindo forehand, mas… não é confiável. Ao assistir a uma partida do sérvio, sempre esperamos o momento que ele vai surtar, gritar, arremessar a raquete, chorar, ir ao banheiro, pedir o massagista ou até desistir. Mesmo assim, tanto Roddick quanto Djokovic quebraram a grande barreira de um top 10: venceram Grand Slam.

O que me deixa triste é que há alguém, na minha opinião, melhor que os dois, ainda com essa pressão: Andy Murray. O escocês sempre é lembrado por seu fardo de carregar as expectativas da Inglaterra (que produziu só Tim Henman nos últimos tempos) de vencer qualquer coisa no tênis. Federer já disse que é questão de tempo, Nadal também. É um consenso entre todos. A lógica é que ele consiga não em sua terra natal (afinal, em Wimbledon ele é britânico, não escocês), mas sim na Austrália ou nos EUA. Seu melhor piso é o duro.

Murray, sempre pedindo desculpas

Deixando as pressões de lado, Murray joga DEMAIS. Até quando perde, mostra um talento raríssimo. Não fosse pelos dois “iluminados”, seria o número 1 do mundo com sobras. Fazendo uma análise mais técnica, chamo os caras que estão nessa há mais tempo que eu. Diga, Matt Cronin, da Fox:

“Ele (Murray) raramente joga estupidamente, apesar de, às vezes, jogar assustado. É muito difícil que ele jogue da maneira errada, por isso, quando perde, é mais por falha de execução do que qualquer outra coisa”. Exato! O ponto forte dele, além do backhand, é a estratégia.

“Quando ele conseguir deixar para trás todos os pensamentos de desapontar o Reino Unido e olhar bem para o seu jogo, vai perceber que 20% de melhora nos seus pontos fracos (segundo saque e forehand) são suficientes para dar a ele um grande troféu”.

Nova York está logo ali.

Falando nisso, eis o vídeo de John Isner no David Letterman, falando as 10 coisas que passaram em sua mente durante o jogo de 11 horas. Se você estiver com preguiça o YouTube estiver lerdo, eu transcrevo:

10 – Estou exausto.

9 – Estou jogando há tanto tempo que esqueci. Sou Isner ou Mahut?

8 – Lembra quando eu disse que estava exausto? Foi há oito horas.

7 – Será que vou sentir dores amanhã?

6 – Eu vou relaxar até 51/50, aí vou para cima!

5 – Estou com sono.

4 – Por que não joguei com o Federer? Teria acabado em 15 minutos.

3 – Cãibra!

2 – Não me importo em ganhar ou perder. Só não quero morrer.

1 – Larry King teve casamentos que não duraram tanto tempo.

PS1: na WTA, Serena campeã. Os anos passam e nada muda. Nem tenho muito o que falar aqui.

PS2: Não vou fazer um “big deal” da eliminação do Federer. Ele tem maus momentos durante o ano, depois melhora. Será assim daqui para frente.

Anúncios

2 Comentários

Arquivado em Grand Slam