Arquivo da tag: Francesca Schiavone

A diva chinesa

A única coisa que faltou para a final feminina de Roland Garros ser perfeita foi uma câmera num bar chinês nos últimos pontos (tipo a do Del Potro no US Open). Eu odeio estabelecer essas analogias, mas a Na Li tem tudo para ser a “Guga” chinesa. O primeiro título em Roland Garros já veio. Talvez a liderança do ranking um dia? A idade está contra Li, mas se há um lugar em que TUDO pode acontecer, ele se chama WTA.

Quais eram as favoritas antes desse torneio começar? Caroline Wozniacki vinha de mais uma temporada consistente; Kim Clijsters sempre é (agora, há controvérsias) um perigo em Slam; Victoria Azarenka foi uma das melhores no saibro, Maria Sharapova brilhou no final. As duas primeiras fizeram um papelão e as duas últimas pararam na campeã.

Mais bizarro ainda é pensar na temporada “murrayística” da Na Li: vice no Aberto da Austrália, depois um verdadeiro apagão e derrotas em estreias, a recuperação justo no piso menos favorável: o saibro. Duas semifinais depois, Li chegou a Roland Garros ainda sob muita desconfiança e com uma chave difícil.

Praticamente todos davam como certa sua derrota para Kvitova, Azarenka ou Sharapova. Até na final. Mas ela foi capaz de colocar em prática seu estilo agressivo em Paris e não deixou o nervosismo atrapalhar na hora de confirmar, apesar de ameaçar umas “verdascadas” em alguns momentos.

Além de tudo, Na Li é DIVA. Nas entrevistas, fala sobre ronco do marido, gastos com cartão de crédito, desejos de dupla-falta da adversária, de como de repente ela virou heroína na China aos 29 anos… Teve coragem de tirar o maridão do cargo de seu treinador e chamou alguém de fora. #ficadica Wozniacki…

E o que posso falar de Schiavone? Durante os Grand Slams, todo mundo se lembra que gosta dela. Mas e no resto da temporada? Quem são os fãs que ACOMPANHAM a Schiavone? Eu não sei de nenhum. Infelizmente, isso só acontece porque ela é “feia”. (By the way, imagino que todas as pessoas que chamam a Fran de feia sejam lindas tbm… #justsayin)

Imagine uma moça loira, alta, com vestidos bonitos jogando a bola da Fran? Teria um fã-clube em cada país do mundo. Não me entendam mal, eu não acho que as musas não merecem toda a atenção. Se elas estão no topo, é porque merecem, sem dúvida. Mas então porque as outras não merecem? Para isso acontecer, nossas “velhinhas” também têm que se ajudar e fazer algo que preste além dos Slams, certo? Não me decepcionem.

GO LI! GO FRAN!

5 Comentários

Arquivado em Grand Slam

Homenagem para as anti-musas do tênis

Já se passaram sete dos catorze dias de Aberto da Austrália e podemos dizer que o torneio superou Wimbledon do ano passado em qualidade e emoção dos jogos, mas ainda está atrás do US Open. Assim como em Nova York tivemos o clássico Djokovic/Federer, Melbourne foi premiada com um dos jogos mais marcantes que já vi no feminino.

A vitória de Francesca Schiavone sobre Svetlana Kuznetsova no jogo mais longo da WTA em Grand Slams (4h44), com 16/14 no terceiro set, foi muito esclarecedora para mim, que venho tentando decifrar minha indisposição com tênis feminino. Eu imaginava que fosse uma espécie de “luto” pela aposentadoria da Elena Dementieva, mas percebi que é mais do que isso. Schiavone/Kuznetsova teve TUDO que eu gostaria numa partida de tênis entre duas mulheres.

Menos uniformes minimamente planejados e mais suor, menos descontrole mental e mais coragem, menos arroz-com-feijão e mais ousadia, menos duplas-faltas e mais aces, menos cara de choro e mais cara de superação. Schiavone sempre sacou depois, pressionada, e em nenhum momento perdeu a cabeça, mesmo nos match-points contra, além de ir para o winner sem pestanejar.

Por sua vez, Sveta não se abalou com as chances desperdiçadas e quebrou a italiana DUAS vezes quando ela sacou para o jogo. Uma imagem para mim foi marcante: em uma das viradas – acho que em 13/12 – as duas recebiam atendimento médico e Schiavone deu um grande sorriso para a fisioterapeuta e um tapinha no seu ombro. Tenho que confessar, a italiana é um monstro. Ela passa por tudo com muita garra, sem perder a noção de que, em alguns minutos, tudo aquilo seria motivo de risada.

Enquanto isso, na imponente quadra central, Maria Sharapova era eliminada com muita facilidade pela promissora Andrea Petkovic. Não tenho nada contra a “musa” e Ana Ivanovic, que também faz parte do clube ganhei-Slam-mas-me-perdi. Porém, eu sou muito mais as “anti-musas” Schiavone e Kuznetsova, que também têm seus Grand Slams no currículo e são mais jogadoras do que as duas beldades. Nem vou colocar Jankovic e Safina na comparação, porque é covardia. Wozniacki ainda é muito nova e está em ascensão, então vamos observá-la por enquanto. De qualquer forma…

Salve Schiavone! Salve Kuznetsova!

Agora, os rapazes…

Metade das oitavas de final já aconteceu também para os rapazes. Novak Djokovic jogou um tênis quase perfeito e tem tudo para vencer um Tomas Berdych mais confiante. (quem mandou eu apostar no Verdasco?). Já o Roger Federer deu um susto perdendo um set para o Tommy perdi-pro-Bellucci-semana-passada Robredo. A partida foi tensa e teve até o espanhol tentando acertar a cabeça do suíço. Ele que tome cuidado com outro que está jogando muito bem, seu brother de Olimpíada Stan Wawrinka. A vitória sobre Roddick nem foi aqueeeeela surpresa, né. Mas acho que o duelo suíço será muito interessante.

Analisando friamente, pelo que cada um apresentou, a final seria Murray x Djokovic. Mas, pensem, quantas vezes vimos essa final? Quase nunca. Porque um dos dois sempre amarela antes. Isso deve acontecer novamente em Melbourne.

Em sete dias, saberemos os campeões. Não vou falar quem eu acho que ganha, mas torço por Murray e Wozniacki.

1 comentário

Arquivado em Grand Slam

Pela primeira vez, Itália!

Felizmente, o futebol não é o único esporte que traz muitas surpresas. Certamente, eu mandaria um “senta lá” para quem apostasse que Francesca Schiavone seria a campeã de Roland Garros 2010. E nem precisava ser no começo. Bote reparo que eu sequer citei a tenista de (quase) 30 anos em meu último post.

Ela é a primeira italiana a conquistar um Grand Slam. Assim como nós, eles mandam bem no fut e no vôlei, mas quando chega no tênis… Porém, isso só aconteceu porque muitas favoritas ficaram pelo caminho. E não, eu não incluo a Dinara “KIMIKO” Safina nessa lista.

As quedas das favoritas

Henin: perdeu nas oitavas para a vice-campeã Samantha Stosur, da Austrália.

Venus: também nas oitavas, foi derrotada por Nadia Petrova. Nesse caso, foi um alívio. Por mais que admiremos o tênis da irmãzona, a gente dispensava MUITO aquela camisola.

Wozniacki: para tristeza geral da parte masculina do mundo, a “docinho de coco” (não me pergunte quem deu esse apelido), deu adeus a RG nas quartas contra a campeã do torneio.

Serena: a número um do mundo gritou, chicoteou, surtou, jogou demais como sempre… mas perdeu. Foi mais uma presa de Stosur, dessa vez nas quartas.

Dementieva: a derrota mais XIS do torneio. Na semi contra Schiavone, a russa perdeu um primeiro set disputado e simplesmente deu tchau e saiu da quadra. Depois, disse ter uma lesão na panturrilha e duvidar se conseguirá estar em Wimbledon. Migué? A princípio eu achei que era, mas sou desconfiada demais…

Moral da história? As duas finalistas, por mais que não tenham nomes suficientes para nos empolgar, derrubaram gigantes e merecem muito respeito. Stosur é mais jogadora e ainda não entendi como Schiavone venceu. Entenderei agora, que começará a reprise na ESPN.

(algum tempo depois…)

Acabei de ver a reprise. Belo jogo mesmo, como vi alguns comentarem! Duas mulheres maduras, concentradas e cientes do que é uma final de Grand Slam. Não fazem da quadra um palco para lamentações e auto-flagelo. Good for them! Ambas estão no meio da carreira, por isso a minha desconfiança em acreditar que podem firmar o nome entre as grandes de sua geração. Mas, como vocês sabem, meus prognósticos furam cada dia mais.

Onde o jogo se decide? Nos fundamentos, obviamente. Em acertos de primeiro saque, as duas empataram (65%). A italiana fez 26 winners (bolas que o adversário não chega), apenas um a mais que Stosur. A diferença apareceu nos erros não-forçados: 28 da australiana e 19 da campeã. O número mais expressivo é o de porcentagem de pontos ganhos na rede. Schiavone atingiu 93% e Stosur 61%. Os voleios de Francesca foram mais firmes. Isso me surpreende de certa forma, tendo em vista a experiência de Samantha em duplas (em que o voleio é fundamental). E faltou firmeza de Stosur também na hora de manter a vantagem que obteve no segundo set (4×1).

WINNER de Roland Garros: Samantha Stosur, que encara o tênis de forma profissional. Isso é artigo raro na WTA. Como me lembrou o caro Luigi, a australiana vice-campeã sempre se destacou nas duplas. Tomara que seu caminho de vitórias sozinha não termine em Paris.

DUPLA FALTA de Roland Garros: as sérvias Ivanovic e Jankovic. Além de seus respectivos vexames em quadra (a semi de JJ foi lamentável), ficaram trocando farpas nas coletivas como duas meninas do colégio brigando para ver quem é a mais popular. #FAIL

Passe aqui mais tarde para ver meu balanço da chave masculina e do confronto Soderling x Nadal. Até lá!

3 Comentários

Arquivado em Grand Slam