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10 desejos para Roland Garros

Não vou fazer previsões, até porque já fiz de certa forma aqui e aqui. Além disso, Roland Garros é o Grand Slam com mais zebras, principalmente no feminino. O que posso dizer é o que eu gostaria que acontecesse nas próximas duas semanas e me fizesse dizer adeus ao saibro com um sorriso no rosto. Portanto, eis os meus 10 desejos para o Aberto da França:

1. Que Djokovic vire o número 1 do mundo

Nem precisa ser campeão, basta chegar à final. Na verdade, o título daria o recorde de vitórias consecutivas ao Nole, mas isso já é querer demais. Não vejo o Del Potro como grande obstáculo, o argentino está em sabe lá qual forma e é melhor de cinco sets. Talvez Bellucci ou Gasquet sejam mais um problema.

2. Que o Bellucci repita as oitavas de final
É o que podemos exigir dele. Nada mais. Tem chances contra o Gasquet na terceira rodada, mas será complicado enfrentar o francês numa quadra central. De certa forma, ficará claro onde aconteceu o maior milagre: Madri ou Roma. Acho que o brasileiro preparou bem seu calendário, deixando essa última semana sem riscos de uma derrota que tirasse sua confiança ou uma campanha longa e desgastante. Vamos ver.

3. Que o Murray chegue à semifinal.
Olha, eu acho difícil, mas torço muito. Meu sonho é que ele ganhe Wimbledon (ah, a pressão), mas uma boa campanha na França seria o ideal para coroar um meio de temporada mais feliz para o nosso Brit.

4. Que Nadal e Federer detonem os pangarés.
Sério, cansei dessa história de López tendo match-point, Lorenzi ganhando set. Se não pudermos contar com FEDAL para botar ordem na casa, ficamos sem esperanças para o resto do torneio.

5. Que o Isner ganhe pelo menos um game do Nadal.
Esse é bem difícil, admito.

6. Que a Carolaaaaaine jogue bem.
Ganhando o título ou não, a Wozniacki não fez apresentações muito boas no saibro. Mesmo se ela fique sem seu Slam, seria bom ver uma evolução da número 1 justamente no torneio mais importante. O US Open é mais para ela.

7. Que ocorra uma partida igual a Schiavone x Kuznetsova no AO ou Isner x Mahut em Wimbledon.
Afinal, essa coisa de não ter tiebreak no set decisivo tem que servir para alguma coisa.

8.  Que o Guga brilhe muito nas arquibancadas.
Sim, o MITO irá a Paris mostrar sua linda cabeleira e mostrar para esses top X que se acham que eles têm MUITO saibro ainda para comer.

9. Que a Petko seja campeã.
Uns fazem coração na quadra, outros imitam seus colegas, outros puxam a cueca da bunda. Petko faz moonwalk. Go!

10. Que a ESPN continue disponibilizando a tecla SAP em suas transmissões.
Esse é talvez o que desejo mais desesperadamente.

 

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É o que tem para hoje

Faz algum tempo que eu não falo sobre brasileiros aqui. Nessa semana, um dos melhores tenistas que tivemos no país recentemente anunciou sua aposentadoria, o gaúcho Marcos Daniel. A partir do adeus do “muso dos pampas”, dá para pensar bastante na situação do tênis no nosso país, o que temos e o que falta.

É muito justo reconhecer o valor do Daniel, por vários motivos. Primeiro, ele foi um dos 100 melhores do ranking por um bom tempo, enquanto muitos americanos patrocinados por suas federações (sim, Donald Young, estou falando de você) não conseguem a mesma coisa. Segundo, porque, no trato com a imprensa, pelo que escuto dos que trabalham comigo e outros colegas, Daniel sempre foi excepcional. É inteligente, bem-humorado, cordial e disposto a compartilhar o que pensa com os outros, sem criar escudos (um problema que o Thomaz Bellucci tem, por exemplo). Terceiro, pela sua luta nos últimos meses contra a idade e as dores.

Doeu muito assistir àquele jogo contra o Rafael Nadal, na primeira rodada do Aberto da Austrália, em que ele perdeu onze games seguidos e abandonou. Provavelmente é a imagem mais marcante que muitos têm dele, mas quem pode acompanhar o tênis com mais atenção vai lembrar dos inúmeros challengers na Colômbia (Rei de Bogotá, sem dúvida alguma), da sua coragem de defender o Brasil na Copa Davis na época do boicote e da vitória sobre o top-30-e-cabeça-de-chave-de-Grand-Slam Bellucci em São Paulo no ano passado. E claro, sem dúvida, dos #marcosdanielfacts.

Como disse o “Chefe”, o Daniel pode muito bem ser um treinador no futuro e ajudar garotos de todo o país a fazer o que ele fez, ou mais. Dedicação, disciplina e boa vontade, nós sabemos que ele tem. Boa sorte para ele.

Quando um parte, inevitavelmente pensamos no que restou: Thomaz Bellucci, Ricardo Mello, Marcelo Melo e Bruno Soares, o Feijão e o Rogerinho. Assim como o Daniel, o Mello um dia vai se aposentar com a imagem de um cara que não foi brilhante, mas teve uma carreira muito digna. Afinal, ele ganhou um torneio ATP (Delray Beach em 2004), algo que o Daniel não fez, e não ficou preso ao circuito dos challengers. O Feijão é um daqueles casos em que a cabeça não acompanha o talento e o Rogerinho pode surpreender.

O mais cobrado, xingado, adorado, alvo de todos os sentimentos exagerados é o Bellucci porque, inegavelmente, ele é o nosso melhor tenista desde o Gustavo Kuerten. Nós o vimos levar dois torneios ATP para o Brasil depois de cinco anos de jejum, fazer bons jogos contra o Nadal em Roland Garros (incluindo a excelente oitavas de final no ano passado), entrar em todos os torneios de ponta sem precisar do qualifying e ficar a uma posição do top 20 do ranking. Não acho que ele foi melhor que o Meligeni, porque (ainda, quem sabe) o Bellucci não foi semifinalista de Grand Slam.

Essas coisas são fatos e ninguém pode tirar isso do Bellucci. Agora, isso não pode servir como venda e tapar a péssima fase que ele vive desde o segundo semestre do ano passado até agora. O paulista parou de ser o tenista que fazia jogos duros com tenistas acima do seu ranking e se tornou alguém que perde para jogadores em posição muito inferior à sua. Isso também é um fato e quem se recusa a vê-lo quer tapar o sol com a peneira. Nós todos torcemos para ele, mas olhar as coisas com alguma objetividade e senso crítico não faz mal a ninguém, certo? Assim como fazer brincadeiras com ele também não. Já basta a assessoria dele para blindá-lo.

Com tudo isso, chegamos à Copa Davis e ao confronto pelo Zonal Americano contra o Uruguai. Pablo Cuevas venceu recentemente Mello e Bellucci. Nossa dupla estava bem, sofreu com a lesão do Girafa e não se encontrou até agora. Feijão e Rogerinho não são nomes com experiência suficiente para aguentar a torcida uruguaia. Ou seja, estamos numa situação bem complicada (eufemismo para o “ferrados” que mandei no Twitter). Se nem na América do Sul podemos contar com vitória, como queremos ir ao Grupo Mundial? De qualquer forma, é o que tem para hoje.

Menção honrosa para nossas meninas, que tentam viver do tênis sem praticamente dinheiro nenhum. Ana Clara Duarte, Vivian Segnini, Teliana Pereira, Maria Fernanda Alves e muitas outras.

Chave do Masters 1000 de Madri: http://www.atpworldtour.com/posting/2011/1536/mds.pdf

Vou de Nadal, com Murray vencendo o Djokovic na semi. Ou seja, provavelmente, o Federer será o campeão.

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Everybody loves Roland Garros

Rolangarrô 2010 é o Grand Slam de estreia do Entertennis Weekly, então pretendo fazer algo mais sério hoje, ok? Eis um apanhado geral do Aberto da França para que você saiba o que esse torneio tem de tão especial, além de ser o único disputado no saibro. Sim, você poderia ter ido à Wikipédia. Mas aqui é muito mais legal, admita!

Perguntas básicas:

Quem é Roland Garros? Foi o pioneiro da aviação francesa. Morreu durante a Primeira Guerra Mundial, abatido durante um combate aéreo.

Por que o torneio tem esse nome? Na verdade, Roland Garros é o nome do complexo onde o Aberto da França é disputado. Foi construído em 1928, para que os franceses pudessem jogar a Copa Davis contra os EUA em casa.

Quais são os recordistas em títulos? Bjorn Borg, com seis vitórias e, no feminino, Chris Evert, com sete taças.

Os dez últimos vencedores e vencedoras:

2000 – Gustavo Kuerten (BRA)/ Mary Pierce (FRA)

2001 – Gustavo Kuerten (BRA)/ Jennifer Capriati (EUA)

2002 – Albert Costa (ESP)/ Serena Williams (EUA)

2003 – Juan Carlos Ferrero (ESP)/ Justine Henin (BEL)

2004 – Gastón Gaudio (ARG)/ Anastasia Myskina (RUS)

2005 – Rafael Nadal (ESP)/ Justine Henin (BEL)

2006 – Rafael Nadal (ESP)/ Justine Henin (BEL)

2007 – Rafael Nadal (ESP)/ Justine Henin (BEL)

2008 – Rafael Nadal (ESP)/ Ana Ivanovic (SER)

2009 – Roger Federer (SUI)/ Svetlana Kuznetsova (RUS)

Um pirulito para quem acertar os favoritos dessa edição.

Mas, o tênis também é uma caixinha de surpresas (não é Soderling?)

Previsões de ranking

Na CNTP (condições normais de temperatura e pressão), o ranking pós-RG deve continuar o mesmo nas duas primeiras posições. Afinal, Rafa só passa Federer se vencer o torneio e Roger for eliminado nas quartas. Sabe quando foi a última vez Federer NÃO disputou a semifinal de um Grand Slam? Na França… em 2004!!!!!! Sim, fique de queixo caído!

Desde então, ele fez TODAS as semis da série de torneios mais importantes do tênis. Quem foi o último cara a eliminá-lo antes dessa fase? Mais um pirulito para quem acertar…

Kuerten 3x0 Federer, terceira rodada de RG-2004

A chave para Nadal está relativamente fácil, com seus compatriotas fregueses. Federer, por sua vez, tem os bons tenistas ao seu lado, mas nenhum bicho papão no saibro (só o Gulbis, rs).

Os brazucas se deram mal no sorteio. Ricardo Mello, que passou pelo qualifying, pega Cilic de cara. Seria duro até para o Bellucci. Falando nele, nosso melhor tenista estreia contra Michel Llodra, da casa, experiente e marrento. Ele sabe irritar e Thomaz é alguém que costuma cair nessas armadilhas. Se passar, deve encarar Hewitt. Osso.

E o Thiago Alves, que também furou o quali… enfrenta Fernando González (chichichi lelele). Tenso. Resumo da ópera: OREMOS.

RG-2001: dois grandes jogos de dois grandes brasileiros

Um momento pessoal e de memória, que mostra por que eu gamei nesse esporte.

Fernando Meligeni x Andre Agassi, pela terceira rodada em 2001: o jogo estava no terceiro set. Apesar do placar indicar 2×0 para o americano, a partida estava até disputada. Daí começa o show de Fininho. Agassi disparou inúmeras bolas no fundo da quadra, uma em cada canto.

Meligeni não aguentou e se jogou no saibro de forma acrobática, assustadora e absolutamente hilária. Andre pergunta se ele está bem. Fininho levanta, senta na cadeira do juiz de linha e faz um sinal de tempo com as mãos. Naquela hora, ele conquistou a quadra central. O espírito de luta e o bom humor de Meligeni fazem muita falta.

Havia, no mesmo ano, um brasileiro defendendo o título: Gustavo Kuerten. As oitavas de final dele foram contra Michael Russell, um americano. Mas, nesse caso, o brasileiro era favoritíssimo.

Primeiro set: Russell 6-3

Segundo set: Russell 6-4

Terceiro set: MATCH POINT PARA RUSSELL. Oi?????????????

Todos os presentes na quadra central começaram a gritar: Guga, Guga, Guga!

Guga salvou o match point. Virou o set no tie-break. Fez 6-3 e 6-1 no quarto e no quinto. Passou por Russell. Desenhou um coração na quadra e ajoelhou dentro dele, agradecendo o carinho dos franceses.

Desenhou novamente o coração e deitou-se nele após sagrar-se tricampeão.

Ao lembrar disso, fico arrepiada e emocionada. Espero que todos tenham ideia do que Gustavo Kuerten significa.


Acompanhe RG e comente comigo no Twitter. Às vezes, fico solitária por lá.

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