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You Know I’m No Good

*o título é o mesmo de uma música da Amy.

Eu também sinto saudade de Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer e Andy Murray (ok, só eu sinto do Murray). Mas, como diz o Dicesar do BBB10 ditado, É O QUE TEM PRA HOJE. Meu assunto são os dois vice-campeões dos torneios da semana: John Isner e Nicolas Almagro.

Good boy

Eye candy...

O que vem à mente quando falam de Isner? O moço muito grande que demorou 11 horas para ganhar do ruim do Mahut vencer o jogo mais longo da história. 2,05 metros, pele muito branca, carinha de universitário virgem (lembram que ele integrou a minha boy band?) e inúmeros foras de WTA stars no Twitter and counting…

Desde o episódio Mahut, o Isner entrou numa espécie de crise. Do momento deslumbrado fui-no-David-Letterman aos resultados decepcionantes, ele saiu do top 20, 30, 40… o fundo do poço foi quando passou a vergonha alheia do século ao perder para o Paul Capdeville na Copa Davis no quinto set.

O destino então resolveu dar mais uma “ajuda” e colocou o Rafa Nadal na estreia do cidadão em Roland Garros. Daí.. OH WAIT, ele se tornou o único ser humano além de Robin Soderling a ganhar dois sets do espanhol no Grand Slam francês. Porém, em termos de resultados, era apenas mais uma derrota em estreia.

Não satisfeito, o destino disse “vou sacanear ainda mais o grandão”: Nicolas Mahut na primeira rodada de Wimbledon DE NOVO. E lá veio toda a imprensa atrás do garoto para falar daquele dia e ele SUPER disposto. #NOT Olhe só para o Isner nesse vídeo:

Na verdade, aquilo era exatamente que o nosso bebezão precisava: vencer o Mahut como deveria ter feito em 2010, deixar claro que ele estava um nível acima, que merecia pelo menos estar entre os 30 primeiros do mundo. Sem a pressão da Copa Davis, Isner foi a Newport como cabeça 1 e ganhou o título.

Em seguida, nesta semana, foi vice em Atlanta, mas decepcionou. Isner teve dois match-points no segundo set, perdeu a parcial e desapareceu de quadra no terceiro. No fim das contas, ele ainda é o mesmo. Um sacador, um “chocker”, um nerd, um top 30 de novo em breve.

Bad boy

Cuidado, alemães! Ele cospe!

Ah, Almagro. Uma alma controversa. O espanhol que nunca joga pela Davis, o cara que sai na mão com torcedores na Costa do Sauípe, que cospe em direção à torcida de Hamburgo (o Mayer que disse), o tenista que faz questão de encarar o adversário em absolutamente todos os pontos e fazer aquela cara de #chupa quando quebra um saque.

Mas, ao mesmo tempo, um cara que tratou bem os jornalistas brasileiros na Bahia, que fez high-five com o Simon depois do francês vencê-lo na final… Hum… (Sheila tentando lembrar coisas boas do Almagro). Bom, é isso.

Vou confessar a vocês, eu curto o jogo dele. Sério. É o mais interessante entre os espanhóis depois do Nadal. Ele tem um forehand super potente, um backhand de uma mão que quebra as pernas, drop-shots muito bem executados. Tem sim. É só ver um jogo dele sem a cabeça já feita. Então, vamos lá. (RESPIRA, UM, DOIS, TRÊS, QUATRO) Almagro merece estar no top 10. (WOW, FOI LIBERTADOR). Por só um tempinho. Depois Del Potro e Tsonga podem tirá-lo.

Diante das pipocadas e medo da rede do Fernando Verdasco, da dependência enorme do saque do Feliciano López, da falta de versatilidade do David Ferrer, eu prefiro ver o Almagro jogar. Mas é verdade que ele fica pianinho perto dos melhores… não manda nem um “vamos”.

Sheila, você dedicou muito mais espaço pro Isner! Claro, né, foi só uma desculpa para postar aquela foto de close dele. Tolinhos.

Vocês concordam que o Almagro merece o top 10? Detonem aí.

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Game, set, match, Wimbledon!

Game on! Recomendo os posts dos meus colegas tuiteiros/blogueiros do tênis (barra da lateral direita, lá embaixo) com análises-abalizadas sobre as chaves e as chances de cada tenista. Pessoalmente, acho muito complexo prever um Grand Slam. É um outro tipo de tênis. Afinal, quem imaginava que Tomas Berdych venceria Federer e Djokovic no ano passado? Haverá um Berdych em 2011? Impossível saber.

MAS NÃO CUSTA CHUTAR NÉ! rs

O que eu acho que acontecerá em Wimbledon. Vamos lá:

– o Bellucci vai perder na primeira rodada em um jogo de cinco sets interrompido duas vezes pela chuva
– o Mahut dará uma surra no Isner em 1h30
– Nadal, Federer, Murray e Djokovic chegam às semifinais, mas com um jogo-susto para cada um.
– Murray toma uma surra do Nadal e todos fazem cara de pena, Djokovic perde em cinco sets para Federer
– Federer perde a final para o Nadal, só para variar um pouquinho
– Serena vai até a semifinal, todo mundo dá como certo que ela será campeã, os jornalistas americanos comemoram que finalmente a única pessoa nascida nos EUA capaz de vencer Slams voltou, daí ela perde. Uma random do top 10 (sei lá, a Kvitova) ganha o torneio.
– Melo e Soares vão às semifinais e todo mundo fala que deveriam ter levado o Melo para a Davis.
– Bellucci e Jarka perdem na primeira rodada, anunciam que não jogarão mais juntos e ela tuita “preciso jogar com alguém que vença tiebreaks”

Agora, vamos ao que realmente interessa! Os meus CINCO DESEJOS para Wimbledon:

  1. Murray campeão. Gosto de emoções.
  2. Djokovic número 1. Não podemos contar com Federer e Soderling para ajudar na empreitada. Delpo, estou contigo.
  3. Isner sendo maduro pela primeira vez na vida e ganhando com autoridade na primeira rodada (em menos de 11 horas, de preferência).
  4. Bellucci atropelando o Schuettler, vencendo o Deliciano (para tristeza de Judy Murray), ganhando em 5 sets do Roddick e parando só no Murray. #dreamon
  5. Uma final entre Wozniacki e Zvonareva. Porque, depois de Roland Garros, seria muito irônico se isso acontecesse.
Alguns vídeos recentes bacanas de Wimbledon 
As dez coisas que Isner pensou durante o jogo de 11 horas contra Mahut
Semifinal de 2009 entre Serena Williams e Elena Dementieva. Jogaço é pouco.
Eu vi esse jogo. Meus pêsames se você não viu.
Semana que vem, no domingo de descanso (só para os tenistas, porque eu estarei trabalhando), faço uma análise menos fanfarrona do torneio. See ya!

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10 desejos para Roland Garros

Não vou fazer previsões, até porque já fiz de certa forma aqui e aqui. Além disso, Roland Garros é o Grand Slam com mais zebras, principalmente no feminino. O que posso dizer é o que eu gostaria que acontecesse nas próximas duas semanas e me fizesse dizer adeus ao saibro com um sorriso no rosto. Portanto, eis os meus 10 desejos para o Aberto da França:

1. Que Djokovic vire o número 1 do mundo

Nem precisa ser campeão, basta chegar à final. Na verdade, o título daria o recorde de vitórias consecutivas ao Nole, mas isso já é querer demais. Não vejo o Del Potro como grande obstáculo, o argentino está em sabe lá qual forma e é melhor de cinco sets. Talvez Bellucci ou Gasquet sejam mais um problema.

2. Que o Bellucci repita as oitavas de final
É o que podemos exigir dele. Nada mais. Tem chances contra o Gasquet na terceira rodada, mas será complicado enfrentar o francês numa quadra central. De certa forma, ficará claro onde aconteceu o maior milagre: Madri ou Roma. Acho que o brasileiro preparou bem seu calendário, deixando essa última semana sem riscos de uma derrota que tirasse sua confiança ou uma campanha longa e desgastante. Vamos ver.

3. Que o Murray chegue à semifinal.
Olha, eu acho difícil, mas torço muito. Meu sonho é que ele ganhe Wimbledon (ah, a pressão), mas uma boa campanha na França seria o ideal para coroar um meio de temporada mais feliz para o nosso Brit.

4. Que Nadal e Federer detonem os pangarés.
Sério, cansei dessa história de López tendo match-point, Lorenzi ganhando set. Se não pudermos contar com FEDAL para botar ordem na casa, ficamos sem esperanças para o resto do torneio.

5. Que o Isner ganhe pelo menos um game do Nadal.
Esse é bem difícil, admito.

6. Que a Carolaaaaaine jogue bem.
Ganhando o título ou não, a Wozniacki não fez apresentações muito boas no saibro. Mesmo se ela fique sem seu Slam, seria bom ver uma evolução da número 1 justamente no torneio mais importante. O US Open é mais para ela.

7. Que ocorra uma partida igual a Schiavone x Kuznetsova no AO ou Isner x Mahut em Wimbledon.
Afinal, essa coisa de não ter tiebreak no set decisivo tem que servir para alguma coisa.

8.  Que o Guga brilhe muito nas arquibancadas.
Sim, o MITO irá a Paris mostrar sua linda cabeleira e mostrar para esses top X que se acham que eles têm MUITO saibro ainda para comer.

9. Que a Petko seja campeã.
Uns fazem coração na quadra, outros imitam seus colegas, outros puxam a cueca da bunda. Petko faz moonwalk. Go!

10. Que a ESPN continue disponibilizando a tecla SAP em suas transmissões.
Esse é talvez o que desejo mais desesperadamente.

 

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Recap: Copa Davis

Se você me segue no Twitter, leu as minhas incontáveis mensagens sobre a Copa Davis desde sexta-feira. É um dos meus torneios favoritos por razões que eu já expliquei aqui. Nos últimos três dias, aconteceu a primeira rodada e aqui vão minhas impressões sobre cada confronto:

França 3×2 Áustria

O melhor de todos, na minha opinião, não só por ter ido ao quinto jogo, mas pelas surpresas. Antes de começar, a pergunta era se Jurgen Melzer seria capaz de parar Gilles Simon e Jeremy Chardy, além de dar uma mão a Oliver Marach nas duplas. Daí o canhotão perde pro Chardy na primeira partida e o Simon confirma, dando a entender que a França já havia levado. Porém, a dupla austríaca venceu e Melzer teve sangue-nos-olhos contra o Simon, deixando a decisão nas mãos de Chardy contra Martin Fischer. Para alívio geral da nação francesa, a vaga nas quartas veio na última partida.

Alemanha 3×2 Croácia


Esse foi o resultado que mais comemorei e isso não tem nada a ver com minha torcida para a Alemanha no futebol. É tudo implicância com Ivo Karlovic, um jogador tão limitado que é capaz de piorar o jogo dos adversários em quadra. Marin Cilic fez a parte dele, Kohlschreiber ganhou uma das duas partidas e Petzschner mostrou o quanto é bom ter um jogador bom tanto em simples como nas duplas no time.

Sérvia 4×1 Índia


O placar no final foi elástico, mas os atuais campeões passaram alguns sustos nesse confronto. Primeiro, a viajada total do Janko Tipsarevic, perdendo para Somdev Devvarman (não é um absoluto pangaré, mas né), depois a perda do primeiro set nas duplas que-não-eram-Paes-e-Bhupathi. Porém, mais uma vez, Troicki demonstrou firmeza na Davis e evitou a zebra. Ansiosa para vê-lo jogar duplas com Novak Djokovic nos EUA.

Suécia 3×2 Rússia


Não se enganem, os pontos da Rússia foram feitos quando já não valia mais nada. A verdade é que a antes fortíssima equipe russa tem que pensar com bastante carinho em seu futuro. Mikhail Youzhny já disse que seus dias de Davis acabaram. Nikolay Davydenko mal consegue se firmar no circuito, não se pode contar com ele. Os jovens talentos estão sendo cooptados pelo Cazaquistão. Bem complicado. Olhando a Suécia, Robin Soderling é um excelente reforço, mas insuficiente para ameaçar a Sérvia. No papel, sempre, porque a Davis é imprevisível.

Argentina 4×1 Romênia


Palmas, palmas, muitas palmas para David Nalbandian. Esse cara merece uma estátua em cada quadra de tênis da Argentina. Ele disse que o jogo (que venceu) contra Adrian Ungur foi uma das piores coisas que aconteceram na sua vida, por causa das dores que o acompanham já há alguns anos. Triste constatar, mas o velho Nalba está esgotado e a Argentina precisa mexer os pauzinhos para substituí-lo. Está na hora de Juan Martín dar as caras.

Cazaquistão 3×2 República Tcheca


Em mais um momento Vergonha Alheia, Tomas Berdych mostrou que a onda camisa-amarela definitivamente não dá sorte (certo, Roger?). O tcheco fez bem em se apresentar nas duplas e colocar o país da casa na frente, mas simplesmente não podia perder para Andrey Golubev se não fosse em 70/68 no quinto set. Ainda mais triste é ver um time formado por russos naturalizados avançar, enquanto a tradicional Rússia fica pelo caminho.

Espanha 4×1 Bélgica


Esse confronto serviu para tirar quatro conclusões:

  1. Nadal está recuperado da lesão e bastante a fim de ganhar a Davis.
  2. Ferrer chega cansado a Indian Wells.
  3. Mesmo com baixos e altos, Fernando Verdasco tem mostrado um tênis de qualidade em 2011.
  4. Feliciano López foi capaz de perder para Steve Darcis.

EUA 4×1 Chile


Houve mais emoção nesse confronto do que o esperado. Andy Roddick fazer apenas quatro aces contra o Nicolas Massú já era um mau presságio. Tudo bem que é saibro, mas se o Roddick não for capaz de fazer aces no saibro, imagino quem seja… Então vem John Isner e bellucciza tudo, levando o jogo para o quinto set, ficando esgotado, baixando a cabeça, além de atrasar minha volta para casa. Irmãos Bryan confirmaram, mas não fizeram uma excelente partida, Roddick perdeu o primeiro set contra Paul Capdeville, enfim. O importante é que os EUA enfrentam a Espanha em casa e, caso escolham a grama, dá jogo.

Eu até gostaria de dar palpites para as quartas, mas sem saber o piso e quais jogadores estarão disponíveis, é impossível.

Amanhã começa a temporada de Masters 1000, torneios mais importantes na definição do ranking. Vamos ficar de olho!

 

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A boy band do tênis

Inspiração do post: fui ao show do Backstreet Boys ontem, revivi minha infância e como a vida era mais simples naquela época. Porém, depois pensei em como haviam acontecido muitas coisas legais desde então, inúmeras partidas de tênis… Ok, parei de sentimentalismo, é apenas um gancho mesmo para falar sobre o que aconteceu nessa semana.

Pensei em cinco tenistas que formariam uma excelente boy band do tênis. Carismáticos, talentosos, cheios de fãs mulheres, etc. Além do mais, convenhamos, as torcidas do tênis são tão histéricas quanto às dessas bandas. Vamos aos escolhidos:

Thomaz Bellucci

Mas é claaaaaaaaaro que eu não deixaria nosso number one fora dessa. Além de ser um tenista muito bom, tem o componente moço-do-interior-tímido e as meninas adoram isso. Nesta semana, Bellucci terminou uma turnê sul-americana de altos e baixos. Não defendeu o título de Santiago, foi mal no Sauípe, mas jogou bem justo no torneio que valia mais pontos (Acapulco) e voltou para onde estava antes, top 30. Depois de tanto tempo jogando no saibro, acho complicado para Bellucci ganhar jogos em Indian Wells e Miami, mas, se uma coisa que aprendemos sobre o broto, é que ele é imprevisível. #verdascofeelings

John Isner

Esse seria o equivalente ao Nick, o ultra-americano-com-carinha-de-bebê. Só que o Isner é mais bobinho e desajeitado. O vencedor de Wimbledon Forever não está numa fase boa. Era um top 20 constante há muito tempo, mas não conseguiu defender os resultados dos torneios americanos do ano passado e despencou para a 32ª posição. Paquerador #fail do Twitter, Isner deu publicamente (ou digitalmente) em cima de Caroline Wozniacki e depois de Andrea Petkovic, sendo ignorado ou aloprado por ambas. Tudo culpa do Mahut, eu diria.

Nicolas Almagro

Sim, porque toda boy band tem um feio-chato-briguento. Quem melhor que o rei do saibro latino-americano Almagro, que seria o maior prejudicado com a possível mudança de piso dos torneios daqui? O espanhol batucou com o Olodum em Salvador e começou a ganhar seguidamente, até encontrar David Ferrer na final de Acapulco e finalmente sentir o cansaço. A pergunta é: se Almagro tivesse jogado em Dubai, passaria pela primeira rodada?

 

 

Juan Martin Del Potro

As fãs não gostam apenas das boy bands por causa das músicas. Elas querem se identificar ou torcer para a história de vida de alguém. Nesse caso, Del Potro é a escolha ideal. Sensação do tênis, candidato a sucessor de ‘Fedal’, sofre uma lesão gravíssima no punho, tenta voltar e toma pau, enfim, dava até um filme. O argentino está na final hoje em Delray Beach e, a partir daí, segura o Potro.

 

 

Novak Djokovic

Obviamente, na nossa boy band não faltaria o tenista mais “estrelinha” (digo isso com todo o amor do mundo). A diferença é que agora, além de ser o carismático brincalhão do top 5, Djokovic está virando um jogador cada dia melhor. Ligaram algum interruptor na cabeça do número 3 naquele jogo do US Open que o fez acreditar mais em si mesmo e enterrar de vez os atendimentos médicos desnecessários, as alergias, a dor não sei aonde… Ele não precisa mais disso, está se garantindo “apenas” com um jogo perfeito no fundo de quadra e bons saques e subidas à rede. Está faltando um Nadal x Djoko neste ano… (até porque Federer e Nadal jogam o tempo todo em exibições e já está perdendo a graça).

Homenageando o post da semana: 

Winner da semana: para a querida Bepa aka Vera Zvonareva, mais uma russa doida e muito guerreira, que venceu Caroline Wozniacki em Doha. Ganhe um Slam e você poderá ocupar o lugar de Elena Dementieva no meu coração.

Dupla-falta da semana: a briguinha infantil de Serena Williams e Justine Henin. No fim, todos sabemos que isso se resume àquela velha questão: eu-acho-que-sou-melhor-do-que-você.

Semana que vem tem DAVISSSSSSSS.

 

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Os Outros

Já falei inúmeras vezes sobre a predominância de Roger Federer e Rafael Nadal no circuito. Por que eles venceram 24 dos últimos 28 Grand Slams (Gastón Gaudio, Marat Safin, Novak Djokovic e Juan Martín Del Potro são os “intrusos”), suas diferenças, atitudes, manias, opiniões, como se complementam, etc.

Até a primeira vitória de Nadal em Wimbledon, em 2008, a questão parecia simples: o canhoto era um dos melhores na história do saibro e Federer o supremo na grama. Hoje, o suíço tem seu Roland Garros no currículo e o espanhol chega ao segundo título na Inglaterra. Ou seja, eles são realmente especiais, únicos. Quando um deles está em má fase, o outro toma a liderança do ranking até a situação se inverter.

Não quero falar hoje sobre eles, mas sim sobre “os outros” (agora sim, uma clara referência a “Lost”). O resto? A impressão que temos é de que os outros tenistas são muito fracos por não conseguirem ameaçá-los. Os números até apóiam essa teoria, no entanto, ela está completamente errada. Temos EXCELENTES jogadores nessa geração.

Roddick foi eliminado nas oitavas

Apesar da eliminação surpreendente nas quartas, dá gosto de ver Andy Roddick jogar. Fico brava quando dizem que A-Rod é apenas saque. Ele é simplesmente um ótimo tenista que tem a competência de ser um dos melhores sacadores da história. Quem conta apenas com o serviço é o seu compatriota, John Isner, o vencedor do maior jogo da história (confira o vídeo no fim do post).

Djokovic caiu na semi, mas é número 2 do mundo

Novak Djokovic tem agilidade, ótimos golpes, um lindo forehand, mas… não é confiável. Ao assistir a uma partida do sérvio, sempre esperamos o momento que ele vai surtar, gritar, arremessar a raquete, chorar, ir ao banheiro, pedir o massagista ou até desistir. Mesmo assim, tanto Roddick quanto Djokovic quebraram a grande barreira de um top 10: venceram Grand Slam.

O que me deixa triste é que há alguém, na minha opinião, melhor que os dois, ainda com essa pressão: Andy Murray. O escocês sempre é lembrado por seu fardo de carregar as expectativas da Inglaterra (que produziu só Tim Henman nos últimos tempos) de vencer qualquer coisa no tênis. Federer já disse que é questão de tempo, Nadal também. É um consenso entre todos. A lógica é que ele consiga não em sua terra natal (afinal, em Wimbledon ele é britânico, não escocês), mas sim na Austrália ou nos EUA. Seu melhor piso é o duro.

Murray, sempre pedindo desculpas

Deixando as pressões de lado, Murray joga DEMAIS. Até quando perde, mostra um talento raríssimo. Não fosse pelos dois “iluminados”, seria o número 1 do mundo com sobras. Fazendo uma análise mais técnica, chamo os caras que estão nessa há mais tempo que eu. Diga, Matt Cronin, da Fox:

“Ele (Murray) raramente joga estupidamente, apesar de, às vezes, jogar assustado. É muito difícil que ele jogue da maneira errada, por isso, quando perde, é mais por falha de execução do que qualquer outra coisa”. Exato! O ponto forte dele, além do backhand, é a estratégia.

“Quando ele conseguir deixar para trás todos os pensamentos de desapontar o Reino Unido e olhar bem para o seu jogo, vai perceber que 20% de melhora nos seus pontos fracos (segundo saque e forehand) são suficientes para dar a ele um grande troféu”.

Nova York está logo ali.

Falando nisso, eis o vídeo de John Isner no David Letterman, falando as 10 coisas que passaram em sua mente durante o jogo de 11 horas. Se você estiver com preguiça o YouTube estiver lerdo, eu transcrevo:

10 – Estou exausto.

9 – Estou jogando há tanto tempo que esqueci. Sou Isner ou Mahut?

8 – Lembra quando eu disse que estava exausto? Foi há oito horas.

7 – Será que vou sentir dores amanhã?

6 – Eu vou relaxar até 51/50, aí vou para cima!

5 – Estou com sono.

4 – Por que não joguei com o Federer? Teria acabado em 15 minutos.

3 – Cãibra!

2 – Não me importo em ganhar ou perder. Só não quero morrer.

1 – Larry King teve casamentos que não duraram tanto tempo.

PS1: na WTA, Serena campeã. Os anos passam e nada muda. Nem tenho muito o que falar aqui.

PS2: Não vou fazer um “big deal” da eliminação do Federer. Ele tem maus momentos durante o ano, depois melhora. Será assim daqui para frente.

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Wimbledon Forever

Marcela Lupoli, a Magra fã do Federer

Sempre quando eu queria conversar sobre futebol na faculdade, não faltava gente disposta para gastar saliva. Mas, se o assunto fosse tênis, eu contava somente com Marcela Lupoli. Hoje em dia, a situação é diferente, mas a “Magra” foi fundamental para que eu não desistisse de encarar esse esporte como um possível caminho na minha carreira (imaginária, até então).

Além de ser uma amante de tênis, a Magra é a tiete MÓR de Roger Federer. É a minha fonte para as frases dos Federetes, fica triste quando ele perde, mas nunca deixa de confiar no suíço. Ai de quem ouse criticá-lo na frente dela! Ouvirá todas as razões porque Roger é o melhor de todos os tempos e só pode ser vencido quando está num dia ruim. Mas não confunda com as fanáticas dessas bandinhas de rock. A Magra defende o que pensa com muita classe.

Por ser uma das minhas melhores amigas, foi a mim que ela recorreu durante a final de Wimbledon no ano passado, entre Federer e Andy Roddick. Ela estava em Guará, cidade onde foi criada, e a energia caiu no quinto set. Para quem não se lembra, Federer venceu aquela partida no set final por 16×14 (algo absurdamente longo até Isner x Mahut – mas isso é assunto para mais tarde). Narrei como pude os lances finais do hexacampeonato de Federer pelo celular.

A Magra está na Inglaterra nessas férias. Uma visita ao All England Club certamente estava nos planos. Com a ajuda de sua irmã, Bruna, ela conseguiu comprar o ingresso para a quadra central na quarta-feira. 6h da matina, ela saiu de casa com destino ao clube. Algumas fotos:

“Já que nem tudo são rosas… comprei ingresso para a Centre Court. Mas, pela primeira vez desde 2007, colocaram o Federer para jogar na Court 1! Muito azar! Mais pessoas estavam na minha situação e falaram para a gente tentar trocar! Tentei e ouvi milhares sonoros NÃO! Fui assistir ao jogo do Roddick. O saque dele pessoalmente é um milhão de vezes mais impressionante! Parece ser possível matar alguém! Tentava tirar foto, mas ele tem tique e passa o tempo todo andando para frente e para trás! A torcida ama o Roddick, que é muito simpático com eles”.

No intervalo entre jogos, a Magra foi dar um xaveco brasileiro básico na segurança da quadra 1. Até parece que os brits dão um jeitinho, né… Escuta essa:

– O jogo do Federer é o próximo, né?

– Sim, vai começar em poucos minutos.

– Eu estou tão triste, pq comprei ingressos para a Centre e ele vai jogar aqui. Sou do Brasil e provavelmente nunca terei outra chance.

– Ahh… Q triste. Fique aqui do meu lado, se eu achar algum lugar vago eu te coloco lá dentro.

– THANK YOUUU! =D

E ela, não só me colocou dentro, como colocou no MELHOR LUGAR da platéia!

A Magra também passou no Wimbledon Forever, ou Isner x Mahut, ou jogo-que-nunca-acaba, como você ouvir falar. Os recordes quebrados nessa partida (mais de 11 horas, 113 aces por jogador, 70×68 no quinto set) provavelmente durarão por décadas. Por quê?

Somente em três Grand Slams há quinto set longo. O que foge a essa regra é o US Open. Fora dos 4 torneios mais importantes, nem é melhor de cinco, mas sim de três. Foi lindo ver o esforço dos dois, mas acho que essa regra deve ser banida.

É desumano, primeiramente. Não decide quem é o melhor, porque chega uma hora que não há quebras, devido ao cansaço e dificuldade de devolver o serviço. Atrapalha a programação toda do torneio, atrasando horrores. E, o melhor argumento de todos: TIEBREAK É O MÁXIMO!

Isner venceu e perdeu de lavada no dia seguinte. Pode parecer que tudo que ele fez foi em vão. Mas é claro que não. Seu feito, e o de Mahut também, foi semelhante ao de um finalista. O legal do esporte é que ele premia não somente a vitória, mas também o sacrifício. Ambos se sacrificaram, resta saber se podem virar campeões. E para fazer uma aposta, eu sou mais o Isner.

Da série “coisas que eu nunca achei que veria”: Isner nos Trending Topics de SP.

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