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É o que tem para hoje

Faz algum tempo que eu não falo sobre brasileiros aqui. Nessa semana, um dos melhores tenistas que tivemos no país recentemente anunciou sua aposentadoria, o gaúcho Marcos Daniel. A partir do adeus do “muso dos pampas”, dá para pensar bastante na situação do tênis no nosso país, o que temos e o que falta.

É muito justo reconhecer o valor do Daniel, por vários motivos. Primeiro, ele foi um dos 100 melhores do ranking por um bom tempo, enquanto muitos americanos patrocinados por suas federações (sim, Donald Young, estou falando de você) não conseguem a mesma coisa. Segundo, porque, no trato com a imprensa, pelo que escuto dos que trabalham comigo e outros colegas, Daniel sempre foi excepcional. É inteligente, bem-humorado, cordial e disposto a compartilhar o que pensa com os outros, sem criar escudos (um problema que o Thomaz Bellucci tem, por exemplo). Terceiro, pela sua luta nos últimos meses contra a idade e as dores.

Doeu muito assistir àquele jogo contra o Rafael Nadal, na primeira rodada do Aberto da Austrália, em que ele perdeu onze games seguidos e abandonou. Provavelmente é a imagem mais marcante que muitos têm dele, mas quem pode acompanhar o tênis com mais atenção vai lembrar dos inúmeros challengers na Colômbia (Rei de Bogotá, sem dúvida alguma), da sua coragem de defender o Brasil na Copa Davis na época do boicote e da vitória sobre o top-30-e-cabeça-de-chave-de-Grand-Slam Bellucci em São Paulo no ano passado. E claro, sem dúvida, dos #marcosdanielfacts.

Como disse o “Chefe”, o Daniel pode muito bem ser um treinador no futuro e ajudar garotos de todo o país a fazer o que ele fez, ou mais. Dedicação, disciplina e boa vontade, nós sabemos que ele tem. Boa sorte para ele.

Quando um parte, inevitavelmente pensamos no que restou: Thomaz Bellucci, Ricardo Mello, Marcelo Melo e Bruno Soares, o Feijão e o Rogerinho. Assim como o Daniel, o Mello um dia vai se aposentar com a imagem de um cara que não foi brilhante, mas teve uma carreira muito digna. Afinal, ele ganhou um torneio ATP (Delray Beach em 2004), algo que o Daniel não fez, e não ficou preso ao circuito dos challengers. O Feijão é um daqueles casos em que a cabeça não acompanha o talento e o Rogerinho pode surpreender.

O mais cobrado, xingado, adorado, alvo de todos os sentimentos exagerados é o Bellucci porque, inegavelmente, ele é o nosso melhor tenista desde o Gustavo Kuerten. Nós o vimos levar dois torneios ATP para o Brasil depois de cinco anos de jejum, fazer bons jogos contra o Nadal em Roland Garros (incluindo a excelente oitavas de final no ano passado), entrar em todos os torneios de ponta sem precisar do qualifying e ficar a uma posição do top 20 do ranking. Não acho que ele foi melhor que o Meligeni, porque (ainda, quem sabe) o Bellucci não foi semifinalista de Grand Slam.

Essas coisas são fatos e ninguém pode tirar isso do Bellucci. Agora, isso não pode servir como venda e tapar a péssima fase que ele vive desde o segundo semestre do ano passado até agora. O paulista parou de ser o tenista que fazia jogos duros com tenistas acima do seu ranking e se tornou alguém que perde para jogadores em posição muito inferior à sua. Isso também é um fato e quem se recusa a vê-lo quer tapar o sol com a peneira. Nós todos torcemos para ele, mas olhar as coisas com alguma objetividade e senso crítico não faz mal a ninguém, certo? Assim como fazer brincadeiras com ele também não. Já basta a assessoria dele para blindá-lo.

Com tudo isso, chegamos à Copa Davis e ao confronto pelo Zonal Americano contra o Uruguai. Pablo Cuevas venceu recentemente Mello e Bellucci. Nossa dupla estava bem, sofreu com a lesão do Girafa e não se encontrou até agora. Feijão e Rogerinho não são nomes com experiência suficiente para aguentar a torcida uruguaia. Ou seja, estamos numa situação bem complicada (eufemismo para o “ferrados” que mandei no Twitter). Se nem na América do Sul podemos contar com vitória, como queremos ir ao Grupo Mundial? De qualquer forma, é o que tem para hoje.

Menção honrosa para nossas meninas, que tentam viver do tênis sem praticamente dinheiro nenhum. Ana Clara Duarte, Vivian Segnini, Teliana Pereira, Maria Fernanda Alves e muitas outras.

Chave do Masters 1000 de Madri: http://www.atpworldtour.com/posting/2011/1536/mds.pdf

Vou de Nadal, com Murray vencendo o Djokovic na semi. Ou seja, provavelmente, o Federer será o campeão.

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