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5 jogos (in)esquecíveis de Miami

Calma! Você não entrou no site errado. Estou aqui, na minha “casa” antiga, por problemas técnicos. Se as coisas se resolverem, volto para o blog no UOL.

Depois de um torneio totalmente previsível como Indian Wells, foi muito interessante acompanhar as voltas, reviravoltas e surpresas de Miami, mesmo tendo que ouvir “Ai Se eu Te Pego” durante o processo. Roger Federer finalmente sentiu o peso da enorme sequência de jogos e cansou, Andy Roddick aproveitou o momento para se motivar para o resto da carreira e Rafael Nadal sucumbiu, mais uma vez, ao peso do tênis nos joelhos. Fernando González deu um adeus invisível.

Bom para Novak Djokovic e Andy Murray. Ruim para Victoria Azarenka, que foi caindo aos poucos de cansaço físico e mental. Ótimo para Agnieszka Radwanska e seu jogo de variações e paciência, outro vice para Maria Sharapova, presa entre a nova e a velha geração.

Falando nela, Kim Clijsters, Serena e Venus Williams encontram cada vez mais dificuldade para acompanhar as garotinhas. Mas elas sempre terão os Grand Slams, onde o corpo em forma das novinhas treme diante de uma Rod Laver, Philippe Chatrier, Quadra Central e Arthur Ashe. Ou não, não é, Petra? E quem diria, a Caroline teve um março melhor que o da tcheca canhota. Isso significa… provavelmente nada.

Diante de todas essas histórias, o mais marcante para mim em Miami foram os jogos malucos e estressantes que me deixaram na ponta da cadeira. Como o mundo do tênis não para, eles serão esquecidos em breve. Portanto, aqui fica o registro de cinco deles:

Nicolas Mahut v. Fernando González; 7/5, 4/6 e 7/6(3)
Primeiro dia de competições… sem câmeras! Não vou discutir a questão das transmissões, pois é consenso que isso é muito ruim para os fãs. Estamos acostumados a ver todos os jogos que queremos, seja pela TV ou pelos streams, e quando não há nenhuma opção, temos que contar com os jornalistas no local que usam o Twitter (nosso agradecimento eterno, Ben Rothenberg).

A última partida que eu vi González disputar com muita vontade foi em Viña del Mar, contra o Feijão (o brasileiro venceu). Sinceramente, torci para que o chileno perdesse para Mahut ao invés de ficar num quadra secundária e levar uma surra do Berdych. Pelos tweets que lemos, González se esforçou bastante para forçar um segundo set diante do francês e levar ao tiebreak do terceiro.

Enquanto isso, “Vamos Feña” tomava conta do Twitter e chegou ao topo dos trending topics mundiais. Já que não pudemos assistir, pelo menos a internet conseguiu homenagear o dono de um dos melhores forehands da história (sim, eu não resisto a um clichê).

Venus Williams v. Aleksandra Wozniak; 4/6, 6/4 e 7/6(5)
Venus havia vencido Petra Kvitova, portanto, era grande favorita diante da convidada canadense. Porém, Wozniak (a Wozniacki paraguaia) deu muito mais trabalho, já que a norte-americana estava visivelmente cansada e respirando fundo a cada ponto. O esforço de Venus nesse jogo foi um dos mais impressionantes que eu já vi alguém fazer. Wozniak chegou a ter um match-point no terceiro set, mas Venus salvou e se safou no tiebreak. O curioso é que a irmã de Serena não sabia que havia salvado um match-point até ser informada disso após o jogo.

Victoria Azarenka v. Dominika Cibulkova; 1/6, 7/6(7) e 7/5
Para vocês terem uma ideia, eu nem precisei pesquisar o placar. Ficou gravado na minha memória porque eu estava trabalhando na hora do jogo. Sozinha. Cibulkova abriu 6/1 e 4/0 com muita rapidez. Tive que escrever o texto correndo e não era qualquer um, pois carregaria o peso do fim da invencibilidade da Azarenka. Ou seja, eu precisaria de estatísticas e números que fizessem jus à série de vitórias da bielorrussa.

Mas Azarenka começou a reagir. Quebrou quando a eslovaca sacou em 5/2, confirmou, quebrou de novo em 5/4 e levou ao tiebreak. Cibulkova continuou atacando com muita força e forçou 5-5, 6-6 e 7-7, colocando Azarenka sob extrema pressão. Enquanto isso, eu editava meu texto a cada intervalo freneticamente.

Vika levou ao terceiro set e eu decidi escrever a versão da sua vitória, já que não havia como Cibulkova se recuperar daquela virada. Como eu estava enganada… a eslovaca perdeu o saque duas vezes e devolveu ambas as quebras logo na sequência. Cansada, decidi esperar o jogo acabar para atualizar o texto e vi Azarenka quebrar pela terceira vez, agora definitivamente, no que seria sua última vitória consecutiva.

Rafael Nadal v. Jo-Wilfried Tsonga; 6/2, 5/7 e 6/4
Houve um agravante nesse jogo: era tarde. Nadal não estava num dia muito bom e mesmo assim o Tsonga cometeu um festival de erros embaraçoso. Mesmo assim, o espanhol conseguiu se complicar e foi quebrado sacando para o jogo no segundo set (nem comento a dificuldade do Rafa de fechar partidas recentemente). Tsonga começou a jogar um pouco melhor e alternar jogadas boas com erros bisonhos, Nadal ficou nervoso e quase perdeu o saque em 3/4. Porém, o espanhol sobreviveu e me fez dormir à 1h da madrugada. Obrigada, Rafa.

Agnieszka Radwanska v. Marion Bartoli;  6/4 6/2
Esse jogo não foi bom ou emocionante, foi bem ruim. Foi a última partida do dia, com o estádio praticamente vazio e uma Bartoli mancando. Aparentemente, vencer a Azarenka trouxe consequências. E ver uma pessoa SEM ABSOLUTAMENTE NENHUM TIQUE como a Bartoli reclamando de dor não é uma visão muito legal. Mesmo assim, Radwanska conseguiu o feito de perder o serviço seis vezes (quebrou Bartoli em nove games). Quando o jogo estava 4/2 e todos comemoravam o seu final próximo, acabou a energia elétrica na quadra. Depois de 10 minutos, mais um “Ai se eu te pego” e dois games da Radwanska, tivemos a segunda finalista em Miami, que acabou sendo a campeã.

Bring it on, clay.

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Os soberanos do começo

Update para você que não estava no planeta Terra ultimamente: Novak Djokovic e Caroline Wozniacki foram os campeões em Indian Wells, primeiro grande torneio da temporada após o Australian Open. Vamos então fazer um recap da campanha de ambos:

Djokovic: aplicou três pneus em seguida nas primeiras rodadas em cima de Andrey Golubev, Ernests Gulbis e Viktor Troicki. Tomou um sustinho do Richard Gasquet, mas venceu tranquilamente depois e fez um jogo nervoso contra Roger Federer. Jogo em que o saque do suíço não entrou, abalando sua confiança e fazendo com que ele jogasse de forma conservadora, o que nunca é bom para Federer. Contra Rafael Nadal, muitos ralis, que geralmente acabam em erros não-forçados, ao invés de winners. Quem errou mais, o Nadal, levou a pior.

Wozniacki: estreou contra uma adolescente americana chamada Sloane Scheepers e venceu fácil, fazendo o mesmo contra Maria Jose Martinez Sanchez. Tomou o susto básico contra Alisa Kleybanova (olho nela), foi beneficiada pela desistência de Victoria Azarenka nas quartas (se bem que a bielo-russa dificilmente venceria), atropelou Sharapova e teve um jogo mais longo contra Marion Bartoli na final.

Meus palpites na semana passada foram Soderling e Wozniacki. Confesso agora que realmente o feminino teve mais lógica. Mesmo se Clijsters não estivesse contundida, a falta de ritmo de jogo seria fatal para a belga no calor californiano nas rodadas decisivas. Sem as irmãs Williams e com jogadoras boas, mas não o suficiente para bater a número 1, as esperanças restaram em Ivanovic e Sharapova, que fizeram campanhas animadoras para seus milhares de admiradores. Vale destacar a vitória de Dinara Safina contra Sam Stosur (não sei se isso diz mais sobre a australiana do que sobre a russa…) e Bartoli, que não tem nada de espetacular em seu jogo, mas foi muito guerreira contra Ivanovic.

Soderling fazia sentido matematicamente. Quatro torneios, três títulos. Porém, Brisbane, Roterdã e Marselha não foram exatamente as chaves mais difíceis do ano, certo? O trio fantástico (Murray está de castigo e foi excluído momentaneamente) não esteve em nenhum deles. De qualquer forma, caso jogue em Miami, Soderling não pode ser totalmente descartado. Ainda não sei exatamente como esse sueco funciona, então, vou mantê-lo em observação (ok ok falei, falei e não disse nada).

O que tenho para falar sobre o Trio? Gostei muito do que vi de Federer nas duplas, um jogo mais rápido, de reações instantâneas, idas à rede… ele deveria jogar mais torneios com o Stan Wawrinka. Em simples, foi um Dubai/Melbourne reloaded: jogando muito bem até chegar em Djokovic, sem conseguir impor seu estilo. Agora que as posições deles se inverteram, seria bem legal se, uma vez na vida, os dois não se enfrentassem na semifinal. Já encheu.

Bom, o que temos até agora é Wozniacki reinando na WTA (com uma Kim que faz participações especiais e rouba a cena de vez em quando) e Djokovic sobrando na ATP com uma série de vitórias que começou na Copa Davis, lá em dezembro. Ainda há Miami nessa fase inicial antes do saibro, onde TUDO muda. Principalmente, onde Nadal não pode mais errar.


PS: Juan Martin Del Potro, bem-vindo de volta.

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