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10 coisas que aprendi em Montevidéu

Deixando bem claro: esse post não é sobre tênis. Afinal, o que eu posso falar? O Brasil ganhou, como deveria, de um time sem o seu principal jogador. Não é diminuir os méritos do time, mas reconhecer que, felizmente, somos a segunda potência da América Latina.

Bom, então o post é pessoal. Misturei um monte de impressões aqui da viagem e do trabalho. Espero que gostem. Aqui vão as dez lições que aprendi em Montevidéu:

1. Você pode viajar com RG para o Uruguai, mas vá de passaporte. Se perder o papel de entrada no país carimbado, tem que pagar uma taxa para voltar.
2. Thomaz Bellucci não é antipático ou metido. Ele é só incrivelmente tímido mesmo. Muito. Nunca vi alguém ficar tão vermelho na minha vida. Gostei de ter feito uma pergunta que gerou repercussão e interesse, mas ao mesmo tempo fiquei com pena de tê-lo colocado numa posição meio constrangedora. De qualquer forma, Bruno Soares “mitou” na resposta. (Boiou? Entra aqui)
3. Salas de imprensa esportivas são ambientes de baixa presença feminina.
4. Eu preciso de um smartphone.

5. Jornalistas são pessoas legais.
6. Secador de cabelo e hotel são coisas que definitivamente não combinam.
7. O Rogerinho e o Feijão pareciam duas pessoas que acabaram que entrar na faculdade. Felizes com tudo, ansiosos para se encaixarem no grupo e com brilho nos olhos.
8. Bruno Soares merece um fã-clube.
9. João Zwetsch e Marcos Daniel são gentis e bem articulados, como haviam me dito.
10. Preciso aprender a fazer perguntas não-fanfarronas também.

E vocês, pessoas? Leram os textos que eu fiz para o Tenisbrasil? Gostaram das fotos da Marcela, querer cornetar? Enfim, deixem suas impressões.

PS Davis 1: que faaaaaaase dos EUA! Perdendo da Espanha sem o Nadal na quadra dura. Ok, não é uma zebra, mas já houve um tempo em que os norte-americanos eram mais confiáveis.

PS Davis 2: Sérvia e Argentina… ambas têm apenas um jogador totalmente confiável. No caso dos sul-americanos, o Del Potro, já que o Nalba está com muitas dificuldades físicas.

PS Davis 3: Espanha e França. Duas equipes com inúmeras formações possíveis. A presença (ou ausência) de Nadal será fundamental.

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Game, set, match, Wimbledon!

Game on! Recomendo os posts dos meus colegas tuiteiros/blogueiros do tênis (barra da lateral direita, lá embaixo) com análises-abalizadas sobre as chaves e as chances de cada tenista. Pessoalmente, acho muito complexo prever um Grand Slam. É um outro tipo de tênis. Afinal, quem imaginava que Tomas Berdych venceria Federer e Djokovic no ano passado? Haverá um Berdych em 2011? Impossível saber.

MAS NÃO CUSTA CHUTAR NÉ! rs

O que eu acho que acontecerá em Wimbledon. Vamos lá:

– o Bellucci vai perder na primeira rodada em um jogo de cinco sets interrompido duas vezes pela chuva
– o Mahut dará uma surra no Isner em 1h30
– Nadal, Federer, Murray e Djokovic chegam às semifinais, mas com um jogo-susto para cada um.
– Murray toma uma surra do Nadal e todos fazem cara de pena, Djokovic perde em cinco sets para Federer
– Federer perde a final para o Nadal, só para variar um pouquinho
– Serena vai até a semifinal, todo mundo dá como certo que ela será campeã, os jornalistas americanos comemoram que finalmente a única pessoa nascida nos EUA capaz de vencer Slams voltou, daí ela perde. Uma random do top 10 (sei lá, a Kvitova) ganha o torneio.
– Melo e Soares vão às semifinais e todo mundo fala que deveriam ter levado o Melo para a Davis.
– Bellucci e Jarka perdem na primeira rodada, anunciam que não jogarão mais juntos e ela tuita “preciso jogar com alguém que vença tiebreaks”

Agora, vamos ao que realmente interessa! Os meus CINCO DESEJOS para Wimbledon:

  1. Murray campeão. Gosto de emoções.
  2. Djokovic número 1. Não podemos contar com Federer e Soderling para ajudar na empreitada. Delpo, estou contigo.
  3. Isner sendo maduro pela primeira vez na vida e ganhando com autoridade na primeira rodada (em menos de 11 horas, de preferência).
  4. Bellucci atropelando o Schuettler, vencendo o Deliciano (para tristeza de Judy Murray), ganhando em 5 sets do Roddick e parando só no Murray. #dreamon
  5. Uma final entre Wozniacki e Zvonareva. Porque, depois de Roland Garros, seria muito irônico se isso acontecesse.
Alguns vídeos recentes bacanas de Wimbledon 
As dez coisas que Isner pensou durante o jogo de 11 horas contra Mahut
Semifinal de 2009 entre Serena Williams e Elena Dementieva. Jogaço é pouco.
Eu vi esse jogo. Meus pêsames se você não viu.
Semana que vem, no domingo de descanso (só para os tenistas, porque eu estarei trabalhando), faço uma análise menos fanfarrona do torneio. See ya!

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Missão cumprida

Foram três dias intensos na esfera “trabalhística”, mas não deixarei de postar aqui meus pensamentos sobre Roland Garros. Estou que nem o Nadal:

– CLAP CLAP CLAP Rafa. O homem sabe crescer na hora certa. Só perdeu para o Djokovic em 2011 (o Ferrer não conta, ele se machucou), reagiu naquele primeiro set quase perdido contra o Federer, colocou o suíço no bolso pela milésima vez e demonstrou como nunca sua emoção e o quanto teve que se superar para vencer o título. Ele sabia que seria impossível defender todos os pontos no saibro, mas foi quase perfeito na empreitada. O respeito que ele mostra pelo Federer também é admirável. Sem falar mais uma vez na força mental e no seu TALENTO, como bem disse o Alexandre aqui. Mesmo assim, ainda-acho-que-a-final-teria-sido-mais-disputada-se-o-Nole-estivesse-nela.

– Antes do torneio, olhando apenas a matemática, era fácil cravar que o Djokovic passaria o Nadal em Paris. Afinal a “ÚNICA” forma disso não acontecer era o Nadal ser campeão diante de um adversário que não fosse o sérvio. Ok, como se isso fosse muito difícil de acontecer. O adversário que esteve mais perto de derrotar o Nadal foi o John Isner (!!!) na estreia. Além disso, a chave reservou o semifinalista mais complicado (Federer) para o Nole. Por mais que todo mundo falasse “olha, ninguém fala do Roger, ele pode surpreender”, isso não é verdade. Todo mundo viu o Federer jogar, analisou suas partidas, elogiou suas convincentes vitórias. Tanto que a maioria das pessoas disse antes da semi que o suíço acabaria com a invencibilidade do Nole, como realmente aconteceu. Até o próprio Djokovic parece ter entrado em quadra já conformado com isso.

– Mas nada pode apagar a melhor apresentação que eu vi numa quadra de saibro neste ano: Roger Federer na semifinal. Mesmo com o coração partido pela derrota do Nole, foi um verdadeiro prazer ver o suíço desfilar sua incrível técnica por mais de três horas, quase um repeteco do ATP Finals. Foi o primeiro momento espetacular de Federer na temporada e espero que não tenha sido o último.

– Agora é Wimbledon: “ah, agora na grama, o Federer tem tudo para ser campeão, o Nadal não vai conseguir repetir o título”. Aham, vai nessa, vai…
Tudo depende de que lado Federer vai cair. Quem ficar com o Murray na semi tem a vida mais fácil (a não ser que o Brit faça o torneio de sua vida). Djokovic precisa novamente “só” da final para ser número 1.
O que está claro é que a grande menina dos olhos dos quatro está em Londres. Mas talvez o espanhol entre mais relaxado por ter vencido em Roland Garros. Ok, eu coloquei “relaxado” e “Nadal” na mesma frase. Isso não faz muito sentido…

Agora, gente, vocês lembram dos meus 10 desejos para Roland Garros? Vamos ver quais foram realizados:

1 – Que o Djokovic seja número 1 – Não rolou. THANKS A LOT, ROGER.
2 – Que o Bellucci repita as oitavas de final – Não rolou também. Mas eu não fico brava, afinal, Thomazinho foi responsável pela MELHOR COISA DO TORNEIO: o rolo com a Jarka. Divertidíssimo.

3 – Que o Murray chegue à semifinal – Aconteceu, apesar da torção no tornozelo e daquele-jogo-tenebroso com o Troicki.
4 – Que Nadal e Federer detonem os pangarés. – O Federer cumpriu e o Nadal também, já que eu havia pedido…
5 – Que o Isner ganhe pelo menos um game do Nadal – É rapaz, ganhou dois sets! High five, Tree!
6 – Que Caroline jogue bem – Hum……….. NEXT
7 – Que ocorra uma partida-maratona – Várias. Mas todas com o Fognini (dispenso, grata).
8 – Que o Guga brilhe muito nas arquibancadas – Check!

9 – Que a Petko seja campeã – Nem… mas super curti a Na Li.
10 – Que a ESPN continue disponibilizando a tecla SAP em suas transmissões – rolou também! A única vez que voltei ao português foi no dia do Everaldo Marques, no qual o pobre narrador teve que dar um google no Fernando Gonzalez, já que o Maraucci “achava que ele tinha se aposentado”.

Bye, saibro. Oi, grama.

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10 desejos para Roland Garros

Não vou fazer previsões, até porque já fiz de certa forma aqui e aqui. Além disso, Roland Garros é o Grand Slam com mais zebras, principalmente no feminino. O que posso dizer é o que eu gostaria que acontecesse nas próximas duas semanas e me fizesse dizer adeus ao saibro com um sorriso no rosto. Portanto, eis os meus 10 desejos para o Aberto da França:

1. Que Djokovic vire o número 1 do mundo

Nem precisa ser campeão, basta chegar à final. Na verdade, o título daria o recorde de vitórias consecutivas ao Nole, mas isso já é querer demais. Não vejo o Del Potro como grande obstáculo, o argentino está em sabe lá qual forma e é melhor de cinco sets. Talvez Bellucci ou Gasquet sejam mais um problema.

2. Que o Bellucci repita as oitavas de final
É o que podemos exigir dele. Nada mais. Tem chances contra o Gasquet na terceira rodada, mas será complicado enfrentar o francês numa quadra central. De certa forma, ficará claro onde aconteceu o maior milagre: Madri ou Roma. Acho que o brasileiro preparou bem seu calendário, deixando essa última semana sem riscos de uma derrota que tirasse sua confiança ou uma campanha longa e desgastante. Vamos ver.

3. Que o Murray chegue à semifinal.
Olha, eu acho difícil, mas torço muito. Meu sonho é que ele ganhe Wimbledon (ah, a pressão), mas uma boa campanha na França seria o ideal para coroar um meio de temporada mais feliz para o nosso Brit.

4. Que Nadal e Federer detonem os pangarés.
Sério, cansei dessa história de López tendo match-point, Lorenzi ganhando set. Se não pudermos contar com FEDAL para botar ordem na casa, ficamos sem esperanças para o resto do torneio.

5. Que o Isner ganhe pelo menos um game do Nadal.
Esse é bem difícil, admito.

6. Que a Carolaaaaaine jogue bem.
Ganhando o título ou não, a Wozniacki não fez apresentações muito boas no saibro. Mesmo se ela fique sem seu Slam, seria bom ver uma evolução da número 1 justamente no torneio mais importante. O US Open é mais para ela.

7. Que ocorra uma partida igual a Schiavone x Kuznetsova no AO ou Isner x Mahut em Wimbledon.
Afinal, essa coisa de não ter tiebreak no set decisivo tem que servir para alguma coisa.

8.  Que o Guga brilhe muito nas arquibancadas.
Sim, o MITO irá a Paris mostrar sua linda cabeleira e mostrar para esses top X que se acham que eles têm MUITO saibro ainda para comer.

9. Que a Petko seja campeã.
Uns fazem coração na quadra, outros imitam seus colegas, outros puxam a cueca da bunda. Petko faz moonwalk. Go!

10. Que a ESPN continue disponibilizando a tecla SAP em suas transmissões.
Esse é talvez o que desejo mais desesperadamente.

 

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AM/DM

*sim, o post é gigante. Justo, né?

Estava eu aqui, na semana passada, soltando os cachorros de lamentos com o tênis nacional. O Marcos Daniel se aposentou, a dupla estava mal, o Bellucci tinha perdido para o Cuevas, um jogador limitado e um dos nossos adversários na Copa Davis, etc. Então, veio Madri e mudou TUDO.

Bem antes de Madri

A primeira coisa que eu queria dizer é que não, eu não retiro nenhuma crítica, piada ou brincadeira que fiz com o Thomaz durante todo esse tempo. Porque isso nunca fez com que eu torcesse contra ele. Sempre disse, eu “alopro” justamente os meus favoritos (né, Andy?), porque eu quero que eles mostrem o que me fez gostar deles, não derrotas para adversários inferiores.

No final de 2009, eu saí aqui da ZL para ir aos Jardins ver o Bellucci ganhar um challenger em cima do (agora aposentado) Nicolas Lapentti, porque tudo indicava que ele seria a nossa maior chance de ter um jogador firme no top 30 (não ganhar Grand Slam ou ser top 5, ele não será o Guga, sorry Folha).

O segundo semestre de 2009 e o primeiro de 2010 cumpriram as minhas expectativas, com os títulos em Gstaad e Santiago, além da permanência no top 30 e a excelente oitavas de final em Roland Garros. Tudo ia bem até aquele MALDITO ATP 500 de Hamburgo, no qual a chave estava aberta e ele foi eliminado nas quartas para o Andreas Seppi (um dos 1000 pangarés inferiores para quem ele perdeu por desequilíbrio mental).

Daí para frente, veio uma temporada péssima nos EUA, terminando na sofrida derrota no US Open para o Kevin Anderson (que até se tornou um tenista decente agora) no tiebreak (ah, os tiebreaks) do quinto set.

Em seguida, o desastre da Copa Davis, na qual ele venceu um jogo em 10/8 no quinto set contra o duplista Bopanna (479º do mundo na época) e abandonou contra o Devvarman (113º então). Para fechar com chave de latão, derrotas para o ex-tenista em atividade James Blake (135º) e Marcos Daniel (152º) num challenger em São Paulo.

Todas essas derrotas tiveram algo em comum, além de terem sido para jogadores piores que o Bellucci: vieram com viajadas, tiebreak horrorosos, surtos, cabeça baixa, vantagens desperdiçadas, enfim, todos os componentes que, infelizmente, voltamos a ver no começo desse ano.

Pouco antes de Madri

Com Larri Passos, pudemos perceber desde janeiro que Bellucci evoluiu muito tecnicamente. As curtinhas, os slices e os voleios começaram a ser melhores, ajudando os sempre excelentes saque e forehand. O backhand, apesar de ter aparecido algumas vezes em Madri, deixou a desejar contra Djokovic. (Calma, Sheila, ainda não chegamos em Madri). Porém, no mental, Bellucci pouco havia evoluído.

Dos dez torneios que Bellucci fez antes de Madri, em apenas três ele perdeu para um jogador com ranking melhor que o dele. O problema de não conseguir definir diante que adversários fracos permaneceu, até que Madri aconteceu.

Em Madri

Ninguém viu a estreia contra Pablo Andujar, já que foi na quadra 6, mas quando soube do placar, um tranquilo 6/4 e 6/2, fiquei surpresa. Sem tiebreaks perdidos? Sem um 5/2 que virou 7/5? Não. Contra Florian Mayer, um tenista tão promissor quanto o Bellucci, houve o tiebreak perdido, mas Bellucci ganhou bem o segundo set e viu Mayer abandonar no terceiro.

And there was Murray. O britânico sempre é uma caixinha de surpresas (e o que é aquele cabelo, MEU DEUS), mas é o Murray: um cara que foi a três finais de Grand Slam e já venceu Federer e Nadal mais de uma vez com o pé nas costas. Puro talento aliado a um excelente físico e uma mente um pouco (ok, muito) desequilibrada também.

E o Bellucci comeu o Murray com farinha e batata palha. Aproveitando o estilo (infelizmente) defensivo do britânico, o brasileiro foi agressivo e praticamente não cometeu erros. Foi simplesmente perfeito. Porém, o jogo que mais me impressionou foi contra o Berdych.

Por ter um estilo parecido com o do Bellucci, ou seja, marreteiro, Berdych impôs um ritmo no começo da partida que o brasileiro estava com certa dificuldade de acompanhar. No entanto, firme no seu serviço, Bellucci foi buscar no tiebreak (!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!) o set e inverteu tudo no segundo, deixando o Berdych acuado, sem errar e variando como nunca vi o brasileiro fazer antes. Para mim, esse foi O JOGO.

And there was Nole. Thomaz deve estar ainda muito frustrado por saber que teve o jogo nas mãos contra o número 2 do mundo. Mesmo perdendo, ele fez mais winners que o Djokovic e teve um aproveitamento quase perfeito na rede. Isso é novo. É evolução pura. No mental, pelo que vimos no terceiro set, ainda há muito a ser trabalhado. O Bellucci sempre foi um tenista de comportamento derrotista em quadra e foi outra vez. Larri, se você der um jeito nisso, aí sim, nós teremos O TENISTA.

Depois de Madri

Vem Roma. Com Nadal na segunda rodada. Bom, pelo menos ele defende os pontos do ano passado e entra tranquilo em Roland Garros, com bom ranking e com folga, caso não repita as oitavas do ano passado. Vale lembrar que, antes do Nadal, tem um qualifier na primeira rodada. O melhor da lista é o Kei Nishikori, mas quero que seja o Cuevas, para o Bellucci atropelar e baixar a bola do uruguaio, que está achando que já levou o confronto da Davis. Se Bellucci continuar bem até lá, o Brasil é grande favorito, como devemos ser. Como o Bellucci deve ser.

Depois da final, falo do Trio Fantástico e das meninas também.

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É o que tem para hoje

Faz algum tempo que eu não falo sobre brasileiros aqui. Nessa semana, um dos melhores tenistas que tivemos no país recentemente anunciou sua aposentadoria, o gaúcho Marcos Daniel. A partir do adeus do “muso dos pampas”, dá para pensar bastante na situação do tênis no nosso país, o que temos e o que falta.

É muito justo reconhecer o valor do Daniel, por vários motivos. Primeiro, ele foi um dos 100 melhores do ranking por um bom tempo, enquanto muitos americanos patrocinados por suas federações (sim, Donald Young, estou falando de você) não conseguem a mesma coisa. Segundo, porque, no trato com a imprensa, pelo que escuto dos que trabalham comigo e outros colegas, Daniel sempre foi excepcional. É inteligente, bem-humorado, cordial e disposto a compartilhar o que pensa com os outros, sem criar escudos (um problema que o Thomaz Bellucci tem, por exemplo). Terceiro, pela sua luta nos últimos meses contra a idade e as dores.

Doeu muito assistir àquele jogo contra o Rafael Nadal, na primeira rodada do Aberto da Austrália, em que ele perdeu onze games seguidos e abandonou. Provavelmente é a imagem mais marcante que muitos têm dele, mas quem pode acompanhar o tênis com mais atenção vai lembrar dos inúmeros challengers na Colômbia (Rei de Bogotá, sem dúvida alguma), da sua coragem de defender o Brasil na Copa Davis na época do boicote e da vitória sobre o top-30-e-cabeça-de-chave-de-Grand-Slam Bellucci em São Paulo no ano passado. E claro, sem dúvida, dos #marcosdanielfacts.

Como disse o “Chefe”, o Daniel pode muito bem ser um treinador no futuro e ajudar garotos de todo o país a fazer o que ele fez, ou mais. Dedicação, disciplina e boa vontade, nós sabemos que ele tem. Boa sorte para ele.

Quando um parte, inevitavelmente pensamos no que restou: Thomaz Bellucci, Ricardo Mello, Marcelo Melo e Bruno Soares, o Feijão e o Rogerinho. Assim como o Daniel, o Mello um dia vai se aposentar com a imagem de um cara que não foi brilhante, mas teve uma carreira muito digna. Afinal, ele ganhou um torneio ATP (Delray Beach em 2004), algo que o Daniel não fez, e não ficou preso ao circuito dos challengers. O Feijão é um daqueles casos em que a cabeça não acompanha o talento e o Rogerinho pode surpreender.

O mais cobrado, xingado, adorado, alvo de todos os sentimentos exagerados é o Bellucci porque, inegavelmente, ele é o nosso melhor tenista desde o Gustavo Kuerten. Nós o vimos levar dois torneios ATP para o Brasil depois de cinco anos de jejum, fazer bons jogos contra o Nadal em Roland Garros (incluindo a excelente oitavas de final no ano passado), entrar em todos os torneios de ponta sem precisar do qualifying e ficar a uma posição do top 20 do ranking. Não acho que ele foi melhor que o Meligeni, porque (ainda, quem sabe) o Bellucci não foi semifinalista de Grand Slam.

Essas coisas são fatos e ninguém pode tirar isso do Bellucci. Agora, isso não pode servir como venda e tapar a péssima fase que ele vive desde o segundo semestre do ano passado até agora. O paulista parou de ser o tenista que fazia jogos duros com tenistas acima do seu ranking e se tornou alguém que perde para jogadores em posição muito inferior à sua. Isso também é um fato e quem se recusa a vê-lo quer tapar o sol com a peneira. Nós todos torcemos para ele, mas olhar as coisas com alguma objetividade e senso crítico não faz mal a ninguém, certo? Assim como fazer brincadeiras com ele também não. Já basta a assessoria dele para blindá-lo.

Com tudo isso, chegamos à Copa Davis e ao confronto pelo Zonal Americano contra o Uruguai. Pablo Cuevas venceu recentemente Mello e Bellucci. Nossa dupla estava bem, sofreu com a lesão do Girafa e não se encontrou até agora. Feijão e Rogerinho não são nomes com experiência suficiente para aguentar a torcida uruguaia. Ou seja, estamos numa situação bem complicada (eufemismo para o “ferrados” que mandei no Twitter). Se nem na América do Sul podemos contar com vitória, como queremos ir ao Grupo Mundial? De qualquer forma, é o que tem para hoje.

Menção honrosa para nossas meninas, que tentam viver do tênis sem praticamente dinheiro nenhum. Ana Clara Duarte, Vivian Segnini, Teliana Pereira, Maria Fernanda Alves e muitas outras.

Chave do Masters 1000 de Madri: http://www.atpworldtour.com/posting/2011/1536/mds.pdf

Vou de Nadal, com Murray vencendo o Djokovic na semi. Ou seja, provavelmente, o Federer será o campeão.

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Deu #alocka em Miami

Parece nome de filme tosco que passa na “Temperatura Máxima”, mas é o que aconteceu nas primeiras rodadas do Masters 1000 de Miami. Tirando o “Trio Fantástico” (Murray está oficialmente rebaixado) e a Cljsters, os grandes favoritos deram vexame ou escaparam por pouco. Veja a lista dos que tiveram a cabeça de chave cortada (pegou?):

Roddick, eliminado por Cuevas
Cilic, eliminado por Tipsarevic
Melzer, eliminado por Petzschner
Baghdatis, eliminado por Rochus
Montanes, eliminado por Mayer
Gulbis, eliminado por Berlocq
Raonic, eliminado por Devvarman
Wawrinka, eliminado por Granollers
Bellucci, eliminado por Blake
Verdasco, eliminado por Andujar
Garcia-Lopez, eliminado por Anderson
e……………… Murray eliminado por Bogomolov.

A primeira razão que todos estão apontando é que a quadra de Miami talvez esteja muito lenta. Acho que isso é verdade, mas não é o suficiente para determinar um número tão grande de upsets. Nós não vemos tantas zebras primeiras rodadas de Roland Garros, por exemplo. Acho que a questão da quadra faz mais diferença nas fases mais avançadas do torneio, não no início. A diferença técnica entre os jogadores que perderam em relação aos que venceram é absurda. É obrigação dos tops saber superar partidas em que as condições são favoráveis aos adversários. Afinal, é por isso que eles chegaram lá em cima, não?

Na minha visão, é mais uma questão de (péssima) fase. Aos fatos: Andy Roddick está mal na temporada. Chegar à final em Brisbane era obrigação e Memphis será lembrado como o torneio em que descobrimos que ele está careca. O jogo do norte-americano está cada vez mais frágil, algo que ficou evidente na Copa Davis. Apesar de ter sido o responsável pela classificação dos EUA, Roddick passou inúmeras dificuldades no saibro chileno e seu número de aces por partida não é mais impressionante quanto antes.

Ernests Gulbis é um caso perdido. Tão perdido, que me recuso a gastar muitas palavras com ele. Não há problema em ser um playboy mimado desde que você consiga jogar tênis ao mesmo tempo. Aparentemente, não é o caso do letão. Melzer, Baghdatis, Cilic e Verdasco também não fazem valer a posição que ocupam no ranking há alguns meses. É questão de tempo para que Del Potro, Raonic e Dolgopolov cheguem ao top 20, até mesmo ao top 10.


Bellucci foi Bellucci. Mostrou claramente que tinha capacidade de vencer a partida, complicou algo que parecia ser fácil, fez uma dupla-falta, levou a decisão para o tiebreak. E não adianta, o paulista entra em parafuso em todos os momentos que demandam poder de decisão rápido. É parte dele e já passou da hora de se conformar com isso. O maior feito de Bellucci no ano foi vencer Verdasco. O problema é que logo mais o espanhol não estará mais no top 10 e, provavelmente, o brasileiro não permancerá no top 30 a maior parte de 2011.

As duas derrotas mais chocantes foram de Wawrinka e Raonic, porque eles estavam jogando bem até então. No entanto, a posição em que o canadense está agora, de favorito, muda muita coisa na sua postura em quadra e no jeito que os adversários se preparam para enfrentá-lo. No caso do suíço, foi uma grande oportunidade desperdiçada de conquistar algumas posições no ranking.

E chegamos a Andy Murray. Entender o que está acontecendo com o britânico é mais um exercício de especulação do que de análise. Porque é simplesmente impossível conceber algo razoável para justificar derrotas diante de Donald Young e Alex Bogomolov. Agora que Djokovic está em alta, ele admitiu que viveu problemas pessoais durante a fase ruim. É possível que, daqui a alguns meses ou anos, Murray venha a público esclarecer a aberração de jogador que estamos vendo após a Austrália.

Agora resta esperar e ver quem fatura essa. Praticamente impossível sair das mãos do nosso Trio. Aguardamos com ansiedade o duelo entre Federer e Nadal na semifinal. No feminino, acho que merecemos uma final entre Carol e Kim, não? Estarei na torcida.

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