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A maior vitória

Não vamos falar de circustâncias. Se a chave foi fácil, se os jogos foram simples, se ele sacou bem, se os outros vacilaram, o que poderia ter sido diferente… Nada disso importa ou ficará na história.


O que fica é que, aos 24 anos, Rafael Nadal se tornou o sétimo tenista a completar o Grand Slam e o segundo a fazê-lo com uma medalha olímpica na gaveta. Para o tênis, um momento inesquecível, e para o espanhol, a superação de diversos obstáculos e preconceitos.

Há uma série de “lendas” sobre Nadal durante os anos que, pouco a pouco, estão sendo derrubadas por esse bravo e determinado espanhol. Três delas já precisam e esforço descomunal para serem defendidas:

1) Nadal só sabe jogar no saibro. Até sua primeira vitória em Wimbledon, esse discurso era quase uma unanimidade. O espanhol reinaria apenas em Roland Garros e jamais teria jogo para ser favorito em outros pisos. Hoje, fica a pergunta: quem é capaz de vencer Nadal em qualquer campeonato? Federer, Djokovic e Murray em bons dias. (Ok, o Soderling naqueles-dias-de-Soderling).

2) Nadal é apenas um rebatedor de bolas. Ele é o melhor rebatedor do mundo, sem dúvida, mas soube agregar ao seu jogo uma característica agressiva e ter o controle da partida. É ele quem dita os pontos, através de um (finalmente!) competente saque e um forehand matador. Quando o adversário consegue pressioná-lo, ressurge então seu velho e bom contra-ataque, guardado para as horas necessárias.

3) Nadal não voltaria ao número 1. Eu disse aqui uma outra vez que talvez Federer e Nadal alternem anos de predominância. 2008 foi do espanhol, 2009 do suíço e 2010, apesar de um belo tênis de Roger, é a temporada de Rafa. Quando ele perdeu a liderança do ranking no ano passado, alguns disseram que tudo estava na ordem certa novamente. E Nadal voltou, abriu vantagem e terá muito a defender em 2011. Se eu acredito que Federer pode ganhar Masters 1000 e ser n°1 novamente? Sim. Se essa é a meta dele? Isso eu já não acredito.

A lenda ainda não (des)confirmada:

4) Nadal se aposentará cedo. Aos 24, o espanhol já tomou diversas infiltrações nos joelhos. Isso não é nada normal, especialmente para alguém com um jogo tão dependente da condição física. Se quiser chegar aos 30 jogando bem, como Federer, Nadal deve desenvolver uma nova forma de jogar, menos desgastante, sem perder eficiência. Creio eu que essa mudança já está em andamento… Para quem evoluiu tanto nos últimos anos, não quero duvidar que ele consiga longevidade na carreira. Essa sim, seria a sua maior vitória.

Sobre Federer: o torneio estava em sua mãos e acredito que ele daria muito mais trabalho para Nadal do que Djokovic. Mas o sérvio ganh0u nos pontos-importantes (Bellucci feelings) e isso não apaga o belo tênis que o suíço mostrou na temporada em quadra rápida. Os dias em que você ganha de Federer são, necessariamente, os melhores de sua vida.

Nada a dizer sobre Djokovic?

MUITO! É tanto, que fica para o post da semana que vem!

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Acabou?

Wawrinka azedou o molho inglês (ok, péssimo)

Após a derrota de Andy Murray hoje, é muito difícil não enxergar uma final entre Rafael Nadal e Roger Federer no US Open. Mais que isso, é muito complicado apontar outro nome para o título, além do suíço. Curiosamente, o tenista que causou o “estrago” veio do mesmo país do vice-líder do ranking. Stanislas Wawrinka lutou, numa partida dramática, contra um Murray que machucou o joelho durante a partida, prejudicando sua grande virtude, a movimentação.

Porém, Wawrinka também se lesionou durante o jogo, mas não abaixou a cabeça e mostrou mais experiência do que Murray. Desse marcante duelo, ficam duas questões: será que Nadal é capaz de fazer frente a Roger na final? O nível do tênis do espanhol, nessa primeira semana, foi pior do que o apresentado pelo suíço. A outra é o que será da mente desse Andy, que nunca chega lá. Todos sabemos que ele pode. Ele sabe que pode. Mas simplesmente não acontece. Será que o escocês será capaz de superar isso? É uma história do tênis atual que vai se tornando tão importante quanto a rivalidade entre Federer e Nadal.

Até aqui

Djokovic joga bem, mas dá para confiar nele?

A primeira semana foi de muitas zebras no masculino. Tomas Berdych, que eu já havia alertado estar se achando demais, caiu diante do canhoto carismático Michel Llodra. O francês chegou à terceira rodada, mas se machucou e abandonou. Outros também desistiram, como Fernando Gonzalez e Sergiy Stakhovsky.

Alguns tenistas que estão correndo por fora e podem fazer semifinal são Fernando Verdasco, que parou o embalado David Nalbandian, e Robin Soderling, que está bem após uma estreia complicada. Novak Djokovic pegou uma chave difícil, mas está jogando bem. Não vejo o sérvio passando da semifinal, porém. Se conseguir, fará um jogo inesquecível com Nadal, sem dúvida. Nesse caso, eu apostaria no primeiro título do espanhol em Nova York, por sua força mental.

The girls

Será que a Carol consegue?

O torneio feminino, por sua vez, está bastante interessante! Clijsters até agora é a mais firme para defender o título, mas Caroline Wozniacki tem feito partidas excelentes… Se passar por Maria Sharapova, tem tudo para chegar à final. As finalistas de Roland Garros, Francesca Schiavone e Samantha Stosur, finalmente acordaram da soneca e estão jogando muito bem.

Venus também pode chegar lá, como sempre. Ainda mais com o apoio incondicional da torcida, já que, Serena, mais talentosa e carismática, está fora. Svetlana Kuznetsova também está sempre muito regular. Clijsters é a favorita, mas não diria que se trata de algo praticamente fechado, como Federer no masculino.

Agora, vamos à parte divertida!!!!

Melhor jogador da primeira semana: Roger Federer

Pior jogador da primeira semana: Tomas Berdych

Vamos esquecer aquele jogo?

Epic fail da primeira semana: Thomaz Bellucci

Americano(a) mais superestimado(a): Melanie Oudin. A mina tem altura de ginasta. Nem rola.

Jogo mais vou-morrer-do-coração: empate técnico entre Thomaz Bellucci 2×3 Kevin Anderson e Stanislas Wawrinka 3×1 Andy Murray.

Essa não tem salvação

Roupa mais ridícula: é meio manjado, mas a Venus, claro.

Bom, meu bolão particular com a Marcela Lupoli está mostrando que vocês perdem muito tempo lendo esta que vos fala, já que eu errei grande parte dos palpites… Minha amiga de peso inferior está muito a minha frente. Falando nisso, acho que vou chamá-la para escrever um post. Que tal?

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Live from New York… it’s the US Open 2010!

*referência de cultura inútil do título: o bordão do humorístico “Saturday Night Live”

O único Grand Slam que Nadal não tem, o lugar em que Federer chegou às últimas seis finais, o piso mais favorável a Andy Murray, o lugar em que Clijsters e Wozniacki podem repetir a bela campanha do ano passado, a última chance de todos.

O US Open é especial por diversos motivos. Primeiramente, é o Grand Slam de maior premiação total, chegando a quase US$ 3 milhões, não tem aquela frescura de “falta de luz natural” (afinal, lâmpadas não machucam ninguém), o público é mais animado, os tenistas lançam uniformes novos e o clima é mais festivo. Portanto, vamos ao que interessa?

Maiores campeões da era aberta: com cinco títulos, Pete Sampras, Roger Federer e Jimmy Connors. Entre as mulheres, Chris Evert e Margareth Smith, com seis.

Minha lista de favoritos para esse ano, em ordem decrescente:

1 – Roger Federer, só perde se jogar mal ou baixar o santo no Murray

2 – Andy Murray, só perde se surtar ou tremer com o Federer

3 – Robin Soderling, no canto dele, difícil de bater

4 – Rafael Nadal, geralmente, é um mal negócio duvidar dele, mas…

5 – Tomas Berdych, quem chegou na final de Wimbledon pode repetir o feito em NY

6 – Andy Roddick, com a torcida sempre do lado… e motivado

7 – Novak Djokovic, desmotivado, mas sempre chega longe

8 – David Nalbandian, o gordito tá embalado

9 – Mardy Fish, idem ao Nalba

10 – resto

1 – Kim Clijsters, mais talentosa, mais experiente, tem título para defender

2 – Maria Sharapova, se passar pela Wozniacki nas oitavas, difícil segurar

3 – Caroline Wozniacki, é a grande chance dela, como cabeça 1

4 – Svetlana Kuznetsova, sempre regular, como lembrou Luigi Parrini

5 – resto

Os brasileiros que jogam o US Open são Thomaz Bellucci, cabeça de chave 26, que enfrenta o norte-americano Tim Smyczek, famoso-quem. Mas as emoções que o brazuca tem nos dado ultimamente não me fazem cravá-lo na segunda rodada. Ricardo Mello joga contra o alemão Bjorn Phau também amanhã, numa partida mais equilibrada. Júlio Silva, grande surpresa, furou o qualifying e tem um jogo dificílimo contra Pablo Cuevas, do Uruguai.

E sabe qual o melhor motivo de todos para acompanhar o US Open? Passa tanto na Sportv quanto na ESPN!

Na próxima semana, os resultados do bolão particular que farei com Marcela Lupoli. Aguarde no local.


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Começa o US Open……… SERIES!

Estamos numa fase de marasmo no circuito, após Roland Garros e Wimbledon. São disputados alguns torneios no saibro, de baixa importância, sendo Hamburgo, na próxima semana, um deles. Porém, no fim de agosto começa o US Open e há uma grande temporada norte-americana em quadra rápida muito interessante de acompanhar.

Dez torneios compõem o chamado US Open Series, sendo Stanford, San Diego, Cincinatti e Montreal apenas para mulheres. Os homens disputam Atlanta (que divide esta semana com o saibro de Hamburgo), Los Angeles, Washington, Masters 1000 de Toronto e Masters 1000 de Cincinatti. O último é New Haven, que junta ATP e WTA, para depois, enfim, chegarmos a Flushing Meadows e ao último Grand Slam do ano.

Essa temporada rápida é muito bacana, pois os horários são camaradas, os jogos não são interrompidos por falta de luz natural e o público norte-americano gosta de tênis e interage com os atletas. Os tenistas que forem bem na US Open Series ganham bônus de premiação se chegarem à final do Grand Slam.

Para de comer queijinho, Roger...

No que ficar de olho? Bom, o único título de GS que falta a Nadal é exatamente esse, portanto, o espanhol deve se dedicar bastante. O problema é que, nessa fase do ano, é geralmente quando os joelhos do canhoto começam a reclamar. Federer, como mostraram suas fotos de férias, não está indo regularmente à academia. E, mesmo assim, ele continua sendo um candidato fortíssimo ao título.

Andy Murray é essencialmente um tenista de quadra rápida, então teremos suas melhores performances aqui. Sem falar que essa é a casa de Andy Roddick e seu saque-canhão, o lugar que ele conhece como ninguém. Correndo por fora, mas sempre perigoso, Djokovic.

Os sul-americanos não poderão torcer pelo atual campeão Juan Martín Del Potro. O argentino não joga desde janeiro, pois optou por fazer uma cirurgia no punho ao invés de lidar com as dores por muito tempo. Deve voltar só no fim de setembro, para disputar a semifinal da Copa Davis. De qualquer forma, ele perderá os 2000 pontos pelo título do US Open no ano passado, mais os da taça de Washington, despencando no ranking.

Nem Del Potro vai animar os hermanos em 2010

E o Bellucci? Bom, antes de pensar no US Open Series, ele tem que defender os bons resultados que teve nessa mini-temporada de saibro no ano passado. O brasileiro foi campeão em Gstaad em 2009, e precisa de ótimos resultados para não despencar também. A fatia do ranking em que ele está (entre 20 e 30) é muito acirrada em pontos, e cada resultado interfere drasticamente no ranking. Se ele falhar em defendê-los, pode não entrar como cabeça-de-chave no US Open, e isso seria um grande passo para trás.

Como sempre, uns vídeos no fim para relaxar. Encontrei-os no site da ATP, mas o “Saque e Voleio” também postou. O material promocional do US Open Series conta com esses comerciais/entrevistas. Roddick e Serena falando do Twitter, Federer ensinando uma jogada especial e dicas de culinária do Nadal. Enjoy!

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