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Ressaca australiana

No último post, eu falei apenas da final masculina do Australian Open, deixando as mulheres de lado mais uma vez (Sheila, sua machista!). Na verdade, o fato é que estão ocorrendo algumas mudanças na WTA recentemente e todas se relacionam a Kim Clijsters de alguma forma. Então, o primeiro destaque do dia é ela.


Nesta semana, a Clijsters se tornou a nova-antiga número 1 do ranking. A primeira vez que ela esteve no topo foi em 2003 e isso diz muito sobre o circuito feminino hoje em dia. Olhando o top 20, a maioria tem menos de 25 e, mesmo assim, as “velhas” Kim e Na Li foram as finalistas na Austrália. Isso significa que as novatas não têm talento? Não. Na realidade, são as pós-25 que mostram atualmente uma forma física impressionante.

Tirando a Venus Williams e a Justine Henin (que desistiu de voltar, logo a norte-americana deve fazer o mesmo), temos grandes jogadoras hoje em dia em excelente forma num estágio mais ou menos avançado de suas carreiras: Stosur, Schiavone, Pennetta, Kuznetsova, Na Li, até a Zvonareva, que tem cara de menina, mas já tem seus 26… tanto nos Grand Slams, quanto na Fed Cup, que acompanhamos recentemente, essas tenistas foram os destaques. A impressão que dá, quando vemos as partidas, é que a idade não faz diferença na parte física do jogo, mas faz MUITA na parte mental.

Clijsters é a jogadora mais talentosa em atividade atualmente e, quando a Serena voltar… continuará sendo! A Serena é mais forte nos músculos, na garra e na confiança, e isso você não encontra em nenhuma outra tenista da WTA. Mas a Mamãe Kim conseguiu sair da sombra de Henin, pegar um momento propício, sem as Williams, e o aproveitou quase totalmente ao seu favor: US Open, Masters de Doha, Australian Open. Além disso, Kim inspira tanta confiança, que, quando sai atrás no placar, todos sabem que acontecerá a virada. Foi assim em Melbourne e em Paris, na partida que lhe deu o número 1. É simples: não há como dizer que, hoje, ela não é a melhor tenista em atividade.

Porém, onde fica Caroline Wozniacki nessa história? A dinamarquesa pode muito bem recuperar a posição em pouquíssimo tempo e será premiada novamente por sua regularidade e (why not?) seu talento. Certamente, Wozniacki se saiu melhor no posto de número-1-sem-Slam do que Jankovic e Safina, muito devido a seu temperamento calmo e humilde. Wozniacki não é egocêntrica, sabe onde estão as suas falhas e o que deve fazer para melhorá-las, nesse aspecto, ela me lembra o Nadal. É bom para ela ficar fora dos holofotes por um tempo e trabalhar para ser a melhor tenista que pode ser. Antes que me esqueça, como ela estava linda no prêmio Laureus!

Um fator que poderá mudar tudo e jogar esse top 10 de cabeça para baixo é a volta de Serena, cada vez mais próxima. Tremei, WTA!

 

 


No saibro sul-americano… vencem os espanhóis!

Já acabaram Santiago e Costa do Sauípe na turnê sul-americana de saibro, faltando Buenos Aires e Acapulco. Até agora, só os espanhóis fizeram a festa: Robredo no Chile e Almagro no Brasil. Na Bahia, Alexandr Dolgopolov mostrou que não será um nome passageiro (assim como Raonic está fazendo no torneio de San Jose), mas a experiência do “segundo escalão espanhol” tem feito a diferença ainda. Thomaz Bellucci se esforça, mas esbarra em chances desperdiçadas e torções azaradas no pé. O paulista parece que está buscando melhorar seu jogo, não ficar tão dependente de seu saque e forehand, mas o processo é longo e muitos dos drop-shots e voleios que ele tenta são ruins.

De qualquer forma, ele está tentando. O problema é que o circuito não vai ficar sentado esperando Bellucci ser um tenista melhor. O top 30 já escapou, o top 20 parece um sonho já bem distante e é necessário tomar cuidado para o top 40 não ir embora. Quem tem dado boas alegrias são Marcelo Melo e Bruno Soares, campeões em Santiago e no Sauípe. Que os mineiros não percam o embalo e consigam bons resultados em torneios mais importantes.

No resto do mundo, destaque para a boa campanha de Del Potro em San Jose, perdendo apenas na semifinal para Verdasco. O argentino faz muito bem em disputar torneios de quadra dura nos EUA, ao invés de ficar fazendo ralis com os espanhóis por aqui no saibro. Trabalhando dessa forma, Del Potro pode chegar numa boa condição para Miami e Indian Wells.

Winner da semana: Robin Soderling, fazendo o seu e mantendo a quarta posição do ranking com a boa campanha em Roterdã.

Dupla-falta da semana: Andy Murray. Roterdã era uma grande chance para o tri-vice de Slams mostrar que não está abatido e recuperar sua desgastada imagem. Cair na estreia definitivamente não ajudou muito…

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Homenagem para as anti-musas do tênis

Já se passaram sete dos catorze dias de Aberto da Austrália e podemos dizer que o torneio superou Wimbledon do ano passado em qualidade e emoção dos jogos, mas ainda está atrás do US Open. Assim como em Nova York tivemos o clássico Djokovic/Federer, Melbourne foi premiada com um dos jogos mais marcantes que já vi no feminino.

A vitória de Francesca Schiavone sobre Svetlana Kuznetsova no jogo mais longo da WTA em Grand Slams (4h44), com 16/14 no terceiro set, foi muito esclarecedora para mim, que venho tentando decifrar minha indisposição com tênis feminino. Eu imaginava que fosse uma espécie de “luto” pela aposentadoria da Elena Dementieva, mas percebi que é mais do que isso. Schiavone/Kuznetsova teve TUDO que eu gostaria numa partida de tênis entre duas mulheres.

Menos uniformes minimamente planejados e mais suor, menos descontrole mental e mais coragem, menos arroz-com-feijão e mais ousadia, menos duplas-faltas e mais aces, menos cara de choro e mais cara de superação. Schiavone sempre sacou depois, pressionada, e em nenhum momento perdeu a cabeça, mesmo nos match-points contra, além de ir para o winner sem pestanejar.

Por sua vez, Sveta não se abalou com as chances desperdiçadas e quebrou a italiana DUAS vezes quando ela sacou para o jogo. Uma imagem para mim foi marcante: em uma das viradas – acho que em 13/12 – as duas recebiam atendimento médico e Schiavone deu um grande sorriso para a fisioterapeuta e um tapinha no seu ombro. Tenho que confessar, a italiana é um monstro. Ela passa por tudo com muita garra, sem perder a noção de que, em alguns minutos, tudo aquilo seria motivo de risada.

Enquanto isso, na imponente quadra central, Maria Sharapova era eliminada com muita facilidade pela promissora Andrea Petkovic. Não tenho nada contra a “musa” e Ana Ivanovic, que também faz parte do clube ganhei-Slam-mas-me-perdi. Porém, eu sou muito mais as “anti-musas” Schiavone e Kuznetsova, que também têm seus Grand Slams no currículo e são mais jogadoras do que as duas beldades. Nem vou colocar Jankovic e Safina na comparação, porque é covardia. Wozniacki ainda é muito nova e está em ascensão, então vamos observá-la por enquanto. De qualquer forma…

Salve Schiavone! Salve Kuznetsova!

Agora, os rapazes…

Metade das oitavas de final já aconteceu também para os rapazes. Novak Djokovic jogou um tênis quase perfeito e tem tudo para vencer um Tomas Berdych mais confiante. (quem mandou eu apostar no Verdasco?). Já o Roger Federer deu um susto perdendo um set para o Tommy perdi-pro-Bellucci-semana-passada Robredo. A partida foi tensa e teve até o espanhol tentando acertar a cabeça do suíço. Ele que tome cuidado com outro que está jogando muito bem, seu brother de Olimpíada Stan Wawrinka. A vitória sobre Roddick nem foi aqueeeeela surpresa, né. Mas acho que o duelo suíço será muito interessante.

Analisando friamente, pelo que cada um apresentou, a final seria Murray x Djokovic. Mas, pensem, quantas vezes vimos essa final? Quase nunca. Porque um dos dois sempre amarela antes. Isso deve acontecer novamente em Melbourne.

Em sete dias, saberemos os campeões. Não vou falar quem eu acho que ganha, mas torço por Murray e Wozniacki.

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Pela primeira vez, Itália!

Felizmente, o futebol não é o único esporte que traz muitas surpresas. Certamente, eu mandaria um “senta lá” para quem apostasse que Francesca Schiavone seria a campeã de Roland Garros 2010. E nem precisava ser no começo. Bote reparo que eu sequer citei a tenista de (quase) 30 anos em meu último post.

Ela é a primeira italiana a conquistar um Grand Slam. Assim como nós, eles mandam bem no fut e no vôlei, mas quando chega no tênis… Porém, isso só aconteceu porque muitas favoritas ficaram pelo caminho. E não, eu não incluo a Dinara “KIMIKO” Safina nessa lista.

As quedas das favoritas

Henin: perdeu nas oitavas para a vice-campeã Samantha Stosur, da Austrália.

Venus: também nas oitavas, foi derrotada por Nadia Petrova. Nesse caso, foi um alívio. Por mais que admiremos o tênis da irmãzona, a gente dispensava MUITO aquela camisola.

Wozniacki: para tristeza geral da parte masculina do mundo, a “docinho de coco” (não me pergunte quem deu esse apelido), deu adeus a RG nas quartas contra a campeã do torneio.

Serena: a número um do mundo gritou, chicoteou, surtou, jogou demais como sempre… mas perdeu. Foi mais uma presa de Stosur, dessa vez nas quartas.

Dementieva: a derrota mais XIS do torneio. Na semi contra Schiavone, a russa perdeu um primeiro set disputado e simplesmente deu tchau e saiu da quadra. Depois, disse ter uma lesão na panturrilha e duvidar se conseguirá estar em Wimbledon. Migué? A princípio eu achei que era, mas sou desconfiada demais…

Moral da história? As duas finalistas, por mais que não tenham nomes suficientes para nos empolgar, derrubaram gigantes e merecem muito respeito. Stosur é mais jogadora e ainda não entendi como Schiavone venceu. Entenderei agora, que começará a reprise na ESPN.

(algum tempo depois…)

Acabei de ver a reprise. Belo jogo mesmo, como vi alguns comentarem! Duas mulheres maduras, concentradas e cientes do que é uma final de Grand Slam. Não fazem da quadra um palco para lamentações e auto-flagelo. Good for them! Ambas estão no meio da carreira, por isso a minha desconfiança em acreditar que podem firmar o nome entre as grandes de sua geração. Mas, como vocês sabem, meus prognósticos furam cada dia mais.

Onde o jogo se decide? Nos fundamentos, obviamente. Em acertos de primeiro saque, as duas empataram (65%). A italiana fez 26 winners (bolas que o adversário não chega), apenas um a mais que Stosur. A diferença apareceu nos erros não-forçados: 28 da australiana e 19 da campeã. O número mais expressivo é o de porcentagem de pontos ganhos na rede. Schiavone atingiu 93% e Stosur 61%. Os voleios de Francesca foram mais firmes. Isso me surpreende de certa forma, tendo em vista a experiência de Samantha em duplas (em que o voleio é fundamental). E faltou firmeza de Stosur também na hora de manter a vantagem que obteve no segundo set (4×1).

WINNER de Roland Garros: Samantha Stosur, que encara o tênis de forma profissional. Isso é artigo raro na WTA. Como me lembrou o caro Luigi, a australiana vice-campeã sempre se destacou nas duplas. Tomara que seu caminho de vitórias sozinha não termine em Paris.

DUPLA FALTA de Roland Garros: as sérvias Ivanovic e Jankovic. Além de seus respectivos vexames em quadra (a semi de JJ foi lamentável), ficaram trocando farpas nas coletivas como duas meninas do colégio brigando para ver quem é a mais popular. #FAIL

Passe aqui mais tarde para ver meu balanço da chave masculina e do confronto Soderling x Nadal. Até lá!

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